Como fica o mercado de investimentos de risco em um cenário de crise?

Sumário

Que o mundo não é mais o mesmo de semanas atrás, todos nós já sabemos. A crise gerada com a pandemia do Covid-19 tem chacoalhado todos os níveis de empresas. Para as startups não é diferente e a captação de recursos torna-se mais desafiadora. Diante do atual cenário, como deve ficar o mercado de investimentos de risco daqui para frente?

Para responder a essa dúvida em pleno momento de incerteza, abordamos o tema no webinário Investimentos em novos negócios em tempos de crise. A apresentação faz parte da série [Re]invente-se. Para falar sobre o mercado de investimentos de risco, convidamos o Bruno Peroni, fundador da Flash Ventures e que também foi um dos idealizadores da Semente


mercado de investimentos de risco

Neste artigo, vamos destacar os principais pontos dessa conversa, especialmente a análise de como o ecossistema de startups se comportava antes da pandemia, o que esse impacto na economia está sinalizando e o que pode ser feito no curto e médio prazo.

Confira!


Pré-corona: investidores com muito dinheiro e em busca de risco

Em economias com juros baixos, como nos Estados Unidos, e até negativos, a exemplo da Europa, os investidores miravam em opções mais arriscadas, mas com chances de ganhos mais altos. 

No Brasil, o movimento do mercado de investimentos de risco foi semelhante: com juros baixos, muitos brasileiros partiram para a renda variável, também em busca de mais rentabilidade. Para as startups, a busca do aporte de capital crescia com as perspectivas sobre a economia. 

Com a expectativa do surgimento de soluções transformadoras, a avaliação do preço de mercado (valuation) de muitas startups chegou a ser estratosférica em alguns casos. O cenário favoreceu a atividade das startups unicórnio, que são as empresas de tecnologia avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares, como Nubank, Loft e Quinto Andar, por exemplo. 

De acordo com a CBSInsights, até abril de 2020 havia mais de 460 empresas unicórnio no mundo. Além do valor de mercado elevado, muitas ainda abriram capital na bolsa de valores, garantindo mais caixa para trabalhar. No entanto, a necessidade neste momento e até os próximos meses pode forçar a redução desses valores de forma mais acelerada.


Adaptação à nova realidade de olho na retomada

A necessidade de isolamento social para conter a disseminação do novo coronavírus impõe às startups uma gestão de crise, principalmente com foco em ajustes no orçamento. De modo geral, as empresas vivem agora uma fase de adaptação. 

Indo além do trabalho remoto, os ajustes incluem teste de novas hipóteses, procura por novas fontes de receita e até revisão do modelo de negócios. Foi sobre isso, aliás, que falamos em outro artigo, “O inverno está chegando”: a Covid-19 e o checklist de Steve Blank para startups, também inspirado em um dos webinários da série [Re]invente-se.

O melhor a se fazer no momento é aceitar que a situação será diferente por tempo indeterminado. Paralelamente, é preciso agir. É possível manter o otimismo, principalmente se olharmos para a retomada das atividades na China, onde tudo começou. Contudo, o recomeço será diferente para cada país, principalmente levando em conta a situação econômica e as medidas de contenção tomadas em cada um deles. 


Pós-corona: o que as startups devem esperar do mercado de investimentos de risco, então?

Grande parte das empresas sentiu a fonte de receita reduzir, seja de clientes ou de investidores. No caso das startups, especialmente as que estão no estágio inicial (early stage), esse corte foi, ou ainda pode ser, bem mais seco, pois não há entrada de receita e a empresa precisa dos recursos dos investidores para sobreviver. 

Com base no ciclo de 18 meses que as startups geralmente levam para captar novos investimentos, traçamos alguns cenários do que é preciso ser feito até o próximo ano. Veja:



Fique de olho no caixa para sobreviver

O controle dos recursos entre o momento atual e o primeiro semestre de 2021 vai ser determinante para a sobrevivência das startups. Em relação ao mercado de investimentos de risco, aquelas que fizeram aporte há mais tempo e planejavam uma nova rodada de investimentos dentro de 6 a 12 meses, precisam esperar um pouco mais.

Essa espera deve ser de, pelo menos um ano. Do contrário, a companhia será obrigada a baixar sua avaliação ou ir à falência. 

Por isso, é hora de cortar ainda mais os custos para fazer esse dinheiro render o máximo possível. Já para as empresas que são lucrativas, o foco é guardar recursos e se preparar para um hiato sem vendas, sem perspectiva de investimentos e possível perda de clientes. 


Observe o comportamento dos investidores

Tomando o comportamento do mercado de investimento de risco na crise de 2008, a perspectiva é que a quantidade de negócios firmados entre startups e investidoras volte a aumentar daqui a seis meses, após o auge da crise causada pelo coronavírus. Entretanto, o volume de dinheiro nas operações deverá ser menor. 

Neste momento, saem na frente os segmentos de empresas que precisam atender às demandas atuais do mercado, como healthtech, biotech, pesquisa online, e-commerce, delivery e logística. Para o médio e longo prazo, as áreas de microcrédito e educação à distância também podem se beneficiar.

Uma parcela do mercado de investimentos de risco pretende dar continuidade aos aportes, especialmente em busca de oportunidades por conta da possibilidade de redução da avaliação das empresas. Como o Bruno comentou na nossa conversa durante o webinário, “a avaliação das empresas (valuation) já estava se descolando muito da realidade, mas ninguém esperava que seria o novo coronavírus que faria esse corte.” Talvez ninguém imaginasse que seria de forma tão abrupta também.


Busque alternativas para incrementar a receita

Além de manter uma comunicação transparente com os atuais investidores e com o mercado de investimentos de risco como um todo, vale buscar por outras opções que ajudem na captação de receita. São elas:


Criatividade

É possível antecipar a entrada de receita e fazer a entrega de serviço depois. Por meio de plataformas de pré-venda e recompensas, empresas podem conceder vouchers para venda de produtos ou serviços a preços diferenciados.

A iniciativa do Apoie Um Restaurante, das marcas Stella Artois, Nestlé e Nespresso, por exemplo, já comercializou mais de 55 mil vouchers de mais de 2.500 restaurantes, bares, confeitarias e cafeterias pelo país. Um outro caso é o das fabricantes de chocolate, que apostaram nas vendas online direta e por aplicativos de delivery para aumentar as vendas da Páscoa. 


Crédito

Além de buscar as linhas de crédito de apoio governamental, é possível recorrer ao empréstimo P2P (peer-to-peer lending, de pessoa para pessoa). Nele, tomadores de crédito com objetivos em comum fazem empréstimo coletivo por meio de fintechs, como Iouu e Mutual. Se estamos falando de pessoa para pessoa, também vale conversar com familiares e até clientes que podem ser investidores, mesmo que de uma quantia mais baixa.


Fundos de capital de risco 

Em um primeiro momento, além de segurar novos investimentos, os fundos de capital de risco (venture capital) deverão se concentrar em ajudar o atual portfólio a sobreviver a essa fase. A expectativa é que os fundos apenas conversem com as empresas que já estavam em contato antes da pandemia.

Para os meses seguintes, os fundos deverão levar mais tempo para avaliar os negócios e, em cerca de seis meses, devem retomar a criação de novos relacionamentos. Fique de olho em algumas empresas dessa área, como Flash Ventures, Basement, e EqSeed.


Conclusão

Você conferiu neste artigo como o momento pede atenção à gestão do caixa, foco na otimização de processos e alternativas de captação de dinheiro. 

O ano de 2020 deve ser um período crítico para algumas startups, mas sabendo trabalhar com o olhar inovador os resultados poderão ser positivos lá na frente. Também é fundamental agir estrategicamente junto ao mercado de investimentos de risco, principalmente apostando em uma comunicação transparente. 

Em um momento em que todos somos levados à reflexão sobre uma vida com mais qualidade, o ecossistema das startups também tende a passar por mudanças, já que serão valorizadas empresas que gerem impacto positivo. Na sequência, negócios que mostram que podem ter lucratividade mais cedo, poupando meses e anos de queima de dinheiro poderão ser identificados como investimentos mais assertivos no médio e longo prazo. 

Vamos dar continuidade a esse caminho de mudanças? Confira os demais vídeos da nossa série [Re]invente-se! Se quiser conversar com um de nossos consultores, preencha o formulário abaixo.


Semente Negócios

Semente Negócios

A Semente é uma empresa de educação empreendedora que aposta na inovação como ferramenta para a geração de prosperidade, desenhando e executando projetos customizados em três frentes: Programas de Empreendedorismo e Aceleração; Projetos de Inovação Corporativa; e Programas de Desenvolvimento Territorial. Em 10 anos promovendo prosperidade por meio da inovação, a Semente já atuou no Brasil e outros nove países apoiando mais de duas mil empresas tais como Vale, Natura, Mercur, Sebrae, Senac, Vivo, BB Seguros, entre outros.

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