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Qual é o futuro da responsabilidade social empresarial?

Sumário

A responsabilidade social empresarial vem se mostrando essencial a medida em que empresas e organizações surgiram e desenvolveram-se pelo mundo ao longo da história. Era (e ainda é, em alguns casos) uma etapa necessária para tentar corrigir ou amenizar os danos causados pelas atividades das próprias empresas.

No entanto, em 2021, o ritmo que dita o futuro das organizações é outro. Embora tenha sido necessário na história do corporativismo, o conceito tradicional da responsabilidade social empresarial já está defasado. É hora de subir mais um nível nessa escala de evolução e pensar a responsabilidade de forma mais consciente, englobando a harmonia e a prosperidade da sociedade e, principalmente, do meio ambiente.

É o mesmo degrau de consciência que consumidores, diretos e indiretos, estão chegando. Com isso, há uma cobrança de posicionamento das empresas: a do valor compartilhado. Trata-se da consciência de que a ação individual, seja de uma pessoa ou de uma organização, pode gerar impactos positivos por meio da transformação. 

A Semente acredita que o futuro da responsabilidade social empresarial está na inovação social, na qual as organizações enxergam seu papel transformador na sociedade onde atuam e o insere em seu propósito. Confira neste artigo como esse tipo de inovação acontece e por que é hora da sua empresa repensar as ações de responsabilidade social. 

Responsabilidade social empresarial rumo à inovação social

Pode até parecer agressivo dizer que a responsabilidade social empresarial seja obsoleta, mas futuramente poderemos afirmar que sim. Atualmente, ela ainda pode se mostrar necessária dentro de algumas corporações, como um departamento isolado e, em algumas realidades, completamente alienado do restante da organização. 

A estrutura interna dedicada às ações de responsabilidade social empresarial não costuma ser algo orgânico, ligado à razão da companhia existir. Isso acontece porque tais ações tendem a ser pontuais ou com o objetivo de apenas reparar danos já existentes no entorno da empresa. 

Sob a ótica dos recursos destinados a esses projetos, os resultados se mostram pouco atrativos porque, na realidade, a questão não é o investimento ou o resultado quantitativo. É a transformação gerada.

A inovação social carrega o conceito de que o impacto positivo social e/ou ambiental tem que caminhar junto com as diretrizes da empresa. É definir o tipo de impacto que se deseja atingir e como ele será feito de maneira mais assertiva. Mais adiante, explicamos como é possível decidir qual será o impacto e suas formas de aplicação na sociedade.

Qual é a importância do valor compartilhado?

Uma organização pode perceber que, se por um lado ela é impactada pelos problemas sociais e ambientais no território em que atua, também pode ser um agente transformador para promover o progresso da sociedade. 

O impacto positivo vem desde a utilização de recursos naturais de forma mais consciente, a qualificação de mão de obra do entorno ou a geração de valor a partir de novos produtos ou serviços. Com isso, o valor compartilhado propõe que o projeto tenha mais capilaridade e perenidade do que as ações pontuais de responsabilidade social, que até trazem resultados, mas não têm escala para transformar a vida de pessoas.

Na inovação social, o sucesso da empresa está diretamente ligado ao progresso da sociedade em que atua. Como consequência desse posicionamento e do valor compartilhado, uma organização que investe em inovação social tende a ser valorizada perante o mercado financeiro e os stakeholders.


O efeito coronavírus

Ao mesmo tempo em que as medidas e orientações sanitárias estão sendo tomadas pelos governos, o mundo vivencia o poder da empatia e da ação de pessoas, comunidades e empresas para tentar amenizar os danos e mortes por conta do vírus que causa a Covid-19. 

Embora sejam iniciativas de contenção, por trás desse movimento está o senso de coletividade, de repensar o modus operandi de famílias, organizações e regiões. Um movimento que não pode mais ser ignorado e que provavelmente será fortalecido ao longo dos próximos meses e anos. 

As reflexões que essa pandemia traz indicam a consolidação de algo que já estava a caminho, que é o valor do propósito. Pessoas buscam uma vida com mais sentido, negócios disruptivos nascem para simplificar o dia a dia e a inovação social faz empresas se engajarem para acelerar a transformação onde operam, ao invés de esperar apenas a ação de entes públicos.

Desde o início da pandemia, diversas empresas e instituições mobilizaram-se em resposta à crise do novo coronavírus. Veja algumas das iniciativas:

  • Doação em dinheiro para compra de equipamentos médicos e insumos, diagnósticos e auxílio na infraestrutura hospitalar. A verba também foi destinada à compra de cestas básicas e kits de higiene para comunidades vulneráveis;
  • Produção de álcool gel, equipamentos de proteção e uniformes para os profissionais de saúde;
  • Adiamento de cobrança de aluguel de lojistas em algumas redes de shoppings centers. Instituições financeiras passaram a oferecer linhas de crédito a custos mais acessíveis;
  • Empresas de tecnologia disponibilizam acesso gratuito temporário a plataformas e orientação de especialistas sobre como lidar com as finanças da empresa e aspectos jurídicos do contrato de funcionários;
  • Lives e webinários sobre como lidar com trabalho, finanças e aspectos emocionais, além de cursos gratuitos para colocar a criatividade em prática para se ajustar profissionalmente. 

responsabilidade social empresarial

Tendências de valor da responsabilidade social empresarial

Como dissemos, a responsabilidade social empresarial é o degrau que impulsiona a criação de projetos de inovação social. Nesse aspecto, há tendências de valor praticamente obrigatórias para poder abrir espaço à prática da inovação social:

Transparência: Com o acesso a dados cada vez mais facilitado, investidores e consumidores querem mais transparência por parte das empresas, nos âmbitos social, ambiental e de governança corporativa.

Sustentabilidade: Envolve a redução de uso de recursos não-renováveis para uma produção mais sustentável. Isso pode se aliar a ações de inovação social, como a parceria com fornecedores de uma comunidade de impacto, por exemplo, para produzir itens a partir de fontes renováveis ou menos poluentes. É o caso da indústria da moda usando tecido reciclado em sua produção. 

Atuação local: Ao observar a comunidade do entorno onde uma empresa atua, ela pode optar por fornecedores e parceiros locais para suas atividades. É a consciência do impacto positivo para a melhora na qualidade de vida de quem vive na região. Iniciativas nesse sentido surgiram em diversas regiões do mundo por conta da pandemia. Criado por um grupo de publicitários, o Fortalece CWB é um exemplo. Trata-se de um canal nas redes sociais para divulgar pequenos comércios de Curitiba que podem fazer entrega de produtos e serviços durante o isolamento. 

Diversidade e inclusão: Inclui medidas que promovam a equidade de gênero e raça, como com a igualdade salarial. As iniciativas também incluem a contratação direcionada de pessoas de diferentes contextos econômicos ou educacionais e de pessoas LGBTQ+, com deficiência, idosos e gestantes.


Exemplos de projetos de inovação social

A Natura é um dos exemplos entre as empresas mentoradas pela Semente, que partiu da escala de responsabilidade social empresarial para a inovação social. As iniciativas são inerentes ao propósito da Natura, com diferentes projetos de impacto social e ambiental. 

Em 2013, a empresa criou o Índice de Desenvolvimento Humano das Consultoras Natura (IDH-CN), baseado no IDH da Organização das Nações Unidas (ONU), que calcula o nível de qualidade de vida. A partir do IDH-CN, viu-se que as consultoras tinham dificuldade de acesso à educação. 

Com isso, o dinheiro obtido com a venda de produtos da marca Crer Pra Ver é utilizado para que as consultoras e seus familiares possam fazer cursos técnicos, de idiomas, treinamentos e até graduação. Essa iniciativa enxerga que a educação pode contribuir para a melhora na qualidade de vida das consultoras, o comprometimento delas com o trabalho e produtividade, o que acaba gerando um retorno para a empresa como consequência. 

A Mercur é outro exemplo de empresa mentorada, em que a inovação social se ramifica em diferentes setores, desde a compra de insumos à alimentação oferecida aos funcionários. Entre algumas iniciativas está a criação de um indicador de desempenho de compras locais, que prioriza a região onde a empresa se localiza. 

Também há parceria com produtores da agroindústria local no fornecimento de itens orgânicos para a alimentação dos funcionários nas fábricas. Há ainda o programa de educação para adolescentes em situação de vulnerabilidade social.


Como a inovação social é aplicada?

Para definir como aplicar a inovação social na esteira da responsabilidade social empresarial, é preciso pensar no propósito, no que é que se deseja impactar positivamente. Para a escolha desse “o quê” de forma mais assertiva, uma organização pode contar com a mentoria de uma empresa especializada, como a Semente, para identificar quais as oportunidade de gerar impacto. 

Alguns caminhos para essa análise são o mapeamento de ecossistemas e estudos de territórios para direcionar as demandas locais e setoriais. Essa análise também inclui o nível organizacional da própria empresa, o que vai regular como os projetos poderão ser aplicados. As ideias vão gerar hipóteses que serão testadas até que se encontre a mais viável em termos de praticidade de implantação e potencial de impacto.

A execução desses projetos pode acontecer de diversas maneiras, como:

  • Criação de laboratório de inovação social, que é um núcleo interno na empresa para tocar diferentes iniciativas;
  • Investimento em ações associadas ao propósito de impacto positivo da empresa por meio de outras organizações;
  • Incentivo a programas de intraempreendedorismo, que são projetos ideados e aplicados pelos colaboradores da organização;
  • Por meio de parcerias com outras organizações, concedendo espaço na empresa e público-alvo para que as hipóteses sejam testadas. 

Nenhum projeto de inovação social é definitivo. À medida que as hipóteses são testadas, os resultados também são avaliados e, a partir deles, novos ajustes são feitos.


Como uma mentoria pode ajudar a implantar a inovação social

Uma mentoria especializada, como aquela oferecida pela Semente, pode servir de guia para uma organização que queira aplicar a inovação social com mais assertividade, em vez de simplesmente apostar na responsabilidade social empresarial. Entre as ações que envolvem a construção dessa estrutura estão:

  • mapeamento do ecossistema onde a empresa atua e a estrutura interna da companhia;
  • construção da tese, portfólio e funil de inovação social;
  • implantação da metodologia, testes e consolidação de iniciativas;
  • avaliação de impacto;
  • criação e implantação de novo ciclo de iniciativas.

Da ideação à implantação e avaliação de resultados, cada ciclo da inovação social precisa ter um prazo. Ele é necessário para que os ajustes possam ser colocados em prática, validando o aprendizado na trajetória. 


A educação empreendedora como ferramenta de transformação

É mais do que chegada a hora de subir o degrau que parte da responsabilidade social empresarial para a inovação social. Projetos que fazem parte do core business permitem que as escolhas dos tipos de impactos e projetos sejam mais acertadas e os investimentos mais precisos. 

A inovação é uma peça de engrenagem que a empresa põe para rodar. A partir dela, podem ser criados caminhos e oferecidas ferramentas capazes de proporcionar impactos positivos. 

Como consequência, há melhoria dos índices de qualidade de vida dos moradores da região abrangida pelas ações. Também há, ao mesmo tempo, maior engajamento de colaboradores, investidores e consumidores da empresa.

A Semente acredita que a capacidade de inovar é um instrumento poderoso para o desenvolvimento das comunidades de prática, ainda mais em um momento de crise como o que estamos vivendo. É a partir da educação empreendedora que as organizações terão competências necessárias para promover as mudanças sociais positivas de forma perene. 


Semente Negócios

Semente Negócios

A Semente é uma empresa de educação empreendedora que aposta na inovação como ferramenta para a geração de prosperidade, desenhando e executando projetos customizados em três frentes: Programas de Empreendedorismo e Aceleração; Projetos de Inovação Corporativa; e Programas de Desenvolvimento Territorial. Em 10 anos promovendo prosperidade por meio da inovação, a Semente já atuou no Brasil e outros nove países apoiando mais de duas mil empresas tais como Vale, Natura, Mercur, Sebrae, Senac, Vivo, BB Seguros, entre outros.

1 comentário em “Qual é o futuro da responsabilidade social empresarial?”

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