Hackathon Aberto: um olhar para a cultura de inovação e solução de desafios reais da sua organização

Sumário

Nos deparamos, cada vez mais, com o conceito de “Cultura de Inovação”.  Empresas e outros tipos de organizações buscam uma nova sistemática de trabalho com intuito de promover ambientes mais livres, criativos e que incentivem à ideação, promoção e implementação de novas soluções para os problemas complexos que desafiam a vida das organizações. Essa receita permite que as empresas se diferenciam dos concorrentes, gerando resultados melhores ao longo do tempo.

Mas afinal, o que é cultura de inovação?

A “cultura organizacional” determina os relacionamentos e ações dos funcionários dentro da empresa, moldando também sua aparência externa. A exposição da cultura organizacional não se demonstra abertamente, mas se propaga através de normas, valores e atitudes que os colaboradores compartilham em seu ambiente de trabalho.

A “cultura de inovação”, por outro lado, descreve uma forma específica de cultura corporativa que tem como objetivo promover o desenvolvimento de inovações dentro da empresa. Entendemos como uma nova maneira de trabalhar e ver os processos empresariais, sejam eles internos ou externos. 

A estrutura e o ambiente físico impactam diretamente a rotina de uma organização. De acordo com Tidd, Bessan e Pavitt, em livro publicado, de nada adianta ter os melhores profissionais, recrutar as mais criativas mentes e mantê-las na empresa, se não há estímulos para que o comportamento inovador prospere.

A cultura organizacional pode ser considerada como determinante da inovação, pois os seus elementos podem reforçá-la ou inibi-la. Para que a cultura de uma empresa reforce o ímpeto inovador, ela dependerá de um contexto organizacional adequado.

Inovando com insumos internos e externos à organização

Foi-se o tempo em que as empresas buscavam inovar sozinhas, somente através do seu conhecimento e potencial interno de solucionar problemas.

Quando nos deparamos com o conceito de inovação fechada, o entendemos como o modelo de inovação de uma organização que se restringe apenas a utilização de insumos internos. Isso significa conduzir o processo de inovação, do começo ao fim, internamente.

Por exemplo: em um projeto que está sendo criado, ter sua própria equipe de P&D, estruturar um time interno para tal projeto, utilizar pessoas internas à organização para as diferentes necessidades ou promover e comercializar o novo produto ou serviço de forma independente.

Já o conceito de inovação aberta foi desenvolvido por Henry Chesbrough, autor do livro Inovação Aberta: Como criar e lucrar com tecnologia, lançado em 2003. No livro, o autor, pai do conceito, parte do princípio de que uma única empresa, por maior ou mais inovadora que seja, jamais vai conseguir reunir todas as mentes mais brilhantes, com os conhecimentos necessários para encontrar soluções mais inovadoras.

Dentro desse contexto, o autor conclui que, caso uma organização queira encontrar uma solução inovadora para tal desafio interno ou externo, ela pode, e deve utilizar, por exemplo, profissionais de outras empresas, pessoas vinculadas a Universidades com bagagem teórica e acadêmica, membros do poder público, empresas com base avançada de tecnologia, clientes e fornecedores. Tudo isso de modo a estabelecer parcerias externas para desenvolvimento, promoção, comercialização etc.

Mas imagine se conseguíssemos juntar ambos os conhecimentos em apenas um programa? Esse é o escopo do programa que batizamos como Hackathon Aberto da Semente Negócios.

Hackathon Aberto da Semente Negócios

Desenvolvemos uma metodologia específica para o programa denominado Hackathon Aberto da Semente Negócios. Nosso objetivo é auxiliar as empresas no desenvolvimento da tão desejada “cultura de inovação”, através do intraempreendedorismo e da inovação aberta com o ecossistema, utilizando o conhecimento interno e externo para co-criar soluções de desafios reais da empresa. Como resultado, visamos o surgimento de novos processos, produtos e serviços.

Conheça o nosso programa

Pontos-chave da etapa de planejamento

Para dar início ao planejamento de um programa de Hackathon Aberto, é fundamental que a empresa delimite desafios claros para serem trabalhados durante a jornada dos participantes. A determinação dos desafios trazidos pela alta gestão, direciona os esforços dos futuros participantes na fase de inscrição das ideias.

O programa é aberto também para participantes que não estão inseridos no contexto da empresa contratante. Estes, com o interesse de participar do programa, completam a inscrição e podem, ou não, enviar uma sugestão de ideia para solução do desafio já nessa etapa.

Imagine que você é uma pessoa universitária, possivelmente um talento a ser recrutado pela empresa. Sua inscrição no programa está diretamente ligada ao quanto, mesmo na condição de pessoa externa, você se identifica, entende e aprofunda no contexto dos desafios expostos para, então, gerar soluções adequadas e em sinergia com a estratégia da corporação. 

Ainda no planejamento, é importante a definição da governança interna para o programa. Indicamos um grupo de cinco a sete participantes, podendo utilizar o comitê de inovação interno, se existente. Além disso, é importante definir um grupo de trabalho para co-criação, idealização, divulgação e compartilhamento de ações ao longo do Hackathon Aberto.

Indicamos que esse grupo de trabalho seja formado por funcionários e funcionárias de diversas áreas da empresa, além de uma pessoa da área de RH (Recursos Humanos), responsável por identificar potenciais talentos atraídos pelo programa.

Precisamos dar recompensas

Utilizamos os princípios da gamificação, recompensando aqueles grupos que tiverem a melhor performance em cada desafio proposto pela empresa. A gamificação se refere ao emprego de técnicas comuns aos games em situações de não jogo. Ou seja, estabelecer etapas nas quais o grupo participante recebe uma premiação pela sua performance, tornando a tarefa mais prazerosa, engajando a participação durante toda a operacionalização das tarefas. 

Ainda na etapa de planejamento, após a definição dos desafios norteadores do programa, o grupo de trabalho definido, junto da Semente Negócios, aprofunda no entendimento de quem é o público externo e interno que deve ser convidado a participar do evento, bem como os mentores e mentoras que serão chamados para trabalhar com os grupos.

Estas são figuras importantes na garantia de que os projetos buscarão trabalhar com soluções inovadoras e “fora da caixa”. Essa etapa possibilita o alinhamento em relação às necessidades de conhecimento dos grupos participantes para o desenvolvimento de soluções em sinergia com o desafio proposto.

Para cada dia de evento, realizamos um workshop por parte da Semente. Esses workshops são muito importantes para capacitarmos as equipes com conteúdos, metodologias e ferramentas que vão nortear os grupos na construção da solução que será apresentada para a empresa.

Dia a dia do evento

Abertura do programa

No primeiro dia do evento, acontece um “Pitch” das ideias selecionadas pelo grupo de trabalho. Esse Pitch é realizado por quem trouxe a ideia no momento de inscrição no evento. Após essa apresentação, os demais participantes se juntam àquelas ideias com as quais mais se alinham e se interessaram em desenvolver uma solução, formando os grupos para início do segundo dia.

Vale ressaltar a importância de formar equipes multidisciplinares, pois a diversidade de pensamento e experiências é essencial para a construção de soluções inovadoras. Para garantir a multidisciplinaridade das equipes de trabalho,  estabelecemos  algumas diretrizes para a montagem dos grupos.

Vemos que um homem está sentado à mesa. A sua frente vemos dois notebooks; ele parece discutir algumas ideias com outras pessoas (imagem ilustrativa). Texto: hackathon aberto.

Exploração e Engajamento

O segundo dia de evento se destina às fases de Exploração e Engajamento dos participantes, com a possível solução desenhada. Nessa etapa, utilizamos ferramentas de design a fim de entender o problema central atrelado ao desafio para, então, desenhar o modelo de negócio e aprofundar no entendimento do público envolvido.

A etapa é caracterizada pela ida ao mercado dos grupos para validar o problema, entender se a solução proposta é adequada e se há potencial de monetização. Chamamos tudo isso de “validação conjunta de problema e solução”.

A etapa de validação conjunta é fundamental para minimizar as incertezas e riscos do projeto com o público, pivotando e direcionando os possíveis caminhos para solução evoluir.

Ainda no segundo dia, temos uma mentoria com pessoas externas à empresa contratante do programa e à Semente para  auxiliar os grupos de trabalho na validação junto aos clientes.

Entrega

O terceiro dia de evento tem como objetivo o entendimento dos feedbacks dos clientes nos testes de validação realizados na etapa anterior, utilizando-os para finalização do modelo de negócio em desenvolvimento. Nesta etapa, após o fechamento do modelo de negócio da solução proposta, orientamos os grupos sobre como deve ser realizado e construído um pitch de sucesso.

Utilizamos uma mentoria com pessoas externas à empresa contratante do programa e à Semente, as quais auxiliam os grupos de trabalho nas demandas em aberto, possivelmente no modelo de receita, entendimento da concorrência e construção do pitch para o evento de “Pitch Day”.

Pitch Day

O “Pitch Day” encerra o programa. Nesta última etapa, teremos as apresentações dos pitchs dos grupos, com a presença da banca avaliadora, definida no planejamento do programa, e a empresa contratante. Após a apresentação dos grupos, a banca se reúne e define os vencedores por desafio, avaliando as soluções a partir de critérios pré definidos pela contratante. Os vencedores são anunciados e as equipes premiadas, dando o programa por concluído.

Benefícios do Programa

Sintetizo aqui os benefícios do nosso programa:

  • Co-criação de soluções com o ecossistema externo à empresa;
  • Fomento à cultura de inovação;
  • Detecção de talentos externos à organização;
  • Oportunidade de negócios: novos produtos ou serviços como resultado do programa;
  • Vivência com ferramentas de inovação e empreendedorismo;
  • Processo estruturado para criação, validação e engajamento das soluções de inovação e potencial de mercado;
  • Conexão da empresa com o ecossistema de inovação inserido.

Programa de Hackathon Aberto: recomendações finais

O programa de Hackathon Aberto da Semente Negócios foi construído para duração de quatro dias. Entendendo o contexto de cada empresa, é possível remodelá-lo para execução durante um final de semana, ou ainda durante uma semana inteira, com um dia útil separando cada um dos encontros. Mesmo assim, sugerimos que ele seja implementado na estrutura que montamos, respeitando o tempo e as tarefas a serem cumpridas pelos grupos em cada uma das suas etapas.

Pedro Petrucci

Pedro Petrucci

Consultor de inovação corporativa na Semente. Graduado em Administração com Ênfase em Gestão, Inovação e Liderança pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), em Porto Alegre. Estudou Business Administration and Management na Universidade de Coimbra e na Universidad Central de Chile. Tem experiência em consultoria e mentoria de projetos de inovação e transformação digital, identificando oportunidades e intervindo, com planos de ação, desde o penso até a implementação e gestão.

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