Inovação Aberta: uma alternativa eficaz para acompanhar as mudanças no mundo

Sumário


Por muitos anos a chave do sucesso das grandes empresas estava ligada a quanto tempo a propriedade intelectual de um determinado produto ou serviço era mantido em segredo. A inovação era centrada basicamente em pesquisa e desenvolvimento. A era digital e o aumento no número de negócios inovadores trouxeram um alerta às corporações. A necessidade de se reinventarem de maneira mais ágil em função do aumento da competitividade.

 Outro fator importante contribui para essa adaptação rápida das empresas. O comportamento do consumidor está mudando, e o conceito de valor está cada vez mais centrado na experiência. Essas mudanças potencializadas pelos meios digitais vêm acelerando e quebrando paradigmas de comportamento de consumo de maneira rápida. O que um dia tem valor, no outro é substituído por uma versão melhorada, ou até uma nova forma de resolução. 

Inúmeras podem ser as razões que acarretam as mudanças e as necessidades de transformação nas empresas. No cenário de pandemia mundial que vivemos hoje, temos uma validação concreta dessa necessidade de mudança e sua urgência. As incertezas sobre o vírus são muitas, mas uma premissa tem se tornado consenso: Inovar é uma questão de sobrevivência. 

Negócios migrando seus processos para formatos online – respeitando as diretrizes de distanciamento social – assim como a transformação de processos de relacionamento com clientes, novas ferramentas de educação, além de novos produtos para a saúde como o desenvolvimento de materiais para prevenção e cura através de vacinas. 

O que todas essas estratégias têm em comum? Urgência. É preciso adequar os processos mantendo a qualidade para sobrevivência da população, das posições de trabalho, da economia, e do meio ambiente.

Mas, como lidar com todas essas demandas e ainda pensar em Inovação? 

Este é o ponto chave. A Inovação é o caminho para a solução dessas demandas. Muitas estratégias de inovação estão disponíveis para auxiliar as corporações nessa jornada. Neste post abordaremos uma delas, cujas premissas básicas se definem no “trabalhar em conjunto”, complementando capacidades e expertises de diferentes organizações para acelerar a geração de resultados. Estamos falando de Inovação Aberta.


organizações do futuro


O que é Inovação Aberta

Em seu livro Open Innovation: The New Imperative for Creating And Profiting from Technology (Harvard Business School Press — 2003), Henry Chesbrough define a Inovação Aberta pela primeira vez como um processo que usa entradas e saídas de conhecimento intencionais para acelerar a inovação interna e expandir os mercados através da inovação. 

Ela pode ser categorizada em 3 grupos.

  1. Inbound 

O modelo inbound ou “de fora para dentro” sugere que empresas façam bom uso de inovações e tecnologias já desenvolvidas fora da sua organização, para explorá-las nos seus processos internos de inovação. Um exemplo muito comum é quando organizações tradicionais absorvem soluções de empresas de tecnologia personalizando essa solução de acordo com seu processo.

 Imaginemos que uma rede de varejo implementa inteligência artificial no atendimento aos seus consumidores, sendo este sistema desenvolvido por outra companhia, e personalizado pelo varejista. É um exemplo de inovação aberta de fora para dentro.

Este modelo de inovação aberta é o mais explorado entre pequenas e médias empresas. Ela possibilita que elas acessem tecnologias já validadas por organizações maiores, melhorando assim sua competitividade e eficiência em inovação. 

  1. Outbound

O modelo de Inovação aberta Outbound ou “de dentro para fora” está ligado a processos pelos quais as empresas revelam informações sobre um produto ou serviço, licenciam a comercialização de uma solução ou vendem sua tecnologia para outras organizações. 

É um fato que toda e qualquer empresa tem ideias que nunca saíram do papel – por razões variadas – seja falta de infraestrutura, tempo, investimento entre outros. Quando estas ideias são cedidas de uma empresa para serem desenvolvidas por outra, temos um processo de inovação Outbound

Imagine que uma empresa pequena de biotecnologia desenvolve um teste rápido para COVID-19. No entanto ela não tem a infraestrutura necessária para produção em larga escala. A empresa então cede o seu método de produção a uma grande indústria farmacêutica, para que esta produza e venda os testes, e passa a receber royalties pela curadoria do método. Este é um exemplo deste modelo de inovação aberta. 

Este modelo segundo o pai da Inovação Aberta, Henry Chesbrough é o menos explorado. Existe ainda uma resistência por parte das organizações em ceder suas ideias. Em uma entrevista para o World Economic Forum, Chesbrough comenta que um dos motivos deste modelo ter uma adesão mais lenta é o medo. Não o medo de compartilhar a ideia e ela não dar certo, mas sim de ela ser um sucesso. Segundo ele, existe uma cultura de fracasso que alimenta esse pensamento. No entanto, essa empresa poderá ganhar royalties, ou participação nos resultados pela ideia cedida, o que ela nunca receberia caso a mesma continuasse na gaveta.  

  1. Coupled

Quando duas empresas se juntam para co-desenvolver uma solução de maneira complementar, estamos falando do modelo de inovação aberta Coupled. É o modelo clássico de parceria. Sua principal característica é a união de empresas de áreas distintas, para compartilhamento de conhecimentos e expertise. Neste caso, a propriedade intelectual sobre a inovação é compartilhada, e da mesma forma, as responsabilidades sobre a solução. 

Um exemplo deste modelo de inovação aberta é o Projeto BlueSky entre a gigante de tecnologia IBM e a farmacêutica Pfizer. O projeto visa o desenvolvimento de um sistema para avaliar automaticamente os sintomas da Doença de Parkinson usando sensores e análises de dados.

Agora que entendemos os modelos de Inovação aberta, você pode estar se perguntando. Mas quais são os reais benefícios para a Corporação? 

A resposta para essa dúvida é simples e já foi confirmada pelas companhias mais competitivas do mundo. Microsoft, Tesla, Siemens, entre outras, destacam claras vantagens de se abrir o processo de inovação. Entre elas estão:

  • Potencial diminuição no tempo e custo de projetos de inovação;
  • Incorporação de novas soluções na forma de ideias, patentes, produtos e tecnologias dado que olhando somente pra dentro, nunca teriam sido geradas pela empresa;
  • Acesso a novos mercados onde a empresa tem participação limitada e os parceiros são mais ativos;
  • Evolução da base de conhecimento, de acordo com as mudanças do mercado;
  • Novas oportunidades comerciais através de atividades de pesquisa e desenvolvimento não exploradas de forma interna;
  • Comercialização de soluções que, por falta de capacidade/infraestrutura ou por razões estratégicas, não podem ser colocadas no mercado pela empresa proprietária.
  • Oxigenação de ideias e alimentação da cultura interna de inovação nas organizações envolvidas. 

Esta prática de gestão da Inovação é uma tendência cada vez mais comprovada pelas empresas como atividade de alto impacto – não só nos portfólios de Inovação, mas na empresa como um todo. Além disso, muitos estudiosos defendem que em breve, esse será o “novo normal” em termos de Inovação. Para acompanhar mais esta mudança, basta identificar quais modelos têm mais fit com a estratégia da Corporação e arregaçar as mangas!


Como colocar em prática

Existe atualmente uma série de veículos de inovação focados em inovação aberta. Nos últimos anos, os programas de conexão com startups têm ganhado muita força. Através do lançamento de desafios, grandes empresas convidam empreendedores a apresentarem suas soluções para resolver problemas da companhia. 

Outro veículo muito explorado é o hackathon. Uma competição entre times para desenvolver soluções em um curto espaço de tempo, cujo público pode variar entre os próprios colaboradores, estudantes, desenvolvedores, parceiros, clientes, entre outros. 

Projetos de inovação em colaboração com universidades trazem um aspecto interessante de exploração da pesquisa e desenvolvimento com especialistas. O que abre portas para o desenvolvimento de inovações de caráter transformacional. 

Alternativas para executar um processo de inovação aberta não faltam. É preciso estar aberto a compartilhar, e crescer de forma conjunta, acelerando o crescimento da corporação de forma coletiva

A Semente Negócios trabalha com veículos de Inovação aberta apoiando empresas no desenvolvimento de sua jornada inovadora. Quer saber sobre como podemos colaborar? Entre em contato conosco!


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A Semente é uma empresa de educação empreendedora que aposta na inovação como ferramenta para a geração de prosperidade, desenhando e executando projetos customizados em três frentes: Programas de Empreendedorismo e Aceleração; Projetos de Inovação Corporativa; e Programas de Desenvolvimento Territorial. Em 10 anos promovendo prosperidade por meio da inovação, a Semente já atuou no Brasil e outros nove países apoiando mais de duas mil empresas tais como Vale, Natura, Mercur, Sebrae, Senac, Vivo, BB Seguros, entre outros.

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