imagem ilustrativa do conteúdo sobre lean canvas

Lean canvas x business model canvas x modelo C: quando usar cada um para o seu negócio de impacto

Sumário

As ferramentas de modelagem de negócios estão se tornando cada vez mais comuns entre os diversos tipos de iniciativas empreendedoras. Seu uso é frequente em negócios tradicionais, negócios de impacto e é claro, nas startups.

O objetivo é o mesmo: planejar e mapear os elementos críticos do negócio.

E ao contrário do já conhecido Plano de Negócios, o Canvas tem ganhado espaço pela agilidade de aplicação, modificação e a utilização de ferramentas visuais para demonstrar a lógica por trás de todo o negócio.

Mas, surgiu um desafio… em meio a popularidade dessa ferramenta, foram desenvolvidos diversos tipos de Canvas, cada um com sua perspectiva.

E quando se fala em negócios de impacto social, ouço com bastante frequência perguntas do tipo:

“Quando devo usar cada Canvas? Qual é o melhor? Quando devo usar Business Model Canvas (BMC)? E o Lean Canvas? E o Modelo C?”

E você, já se perguntou qual Canvas utilizar para seu negócio de impacto?

Ao longo destes anos da Semente Negócios, após acompanhar o desenvolvimento de mais de 30 mil empreendedores e negócios, muitos deles de impacto social, esse tipo de pergunta é bem frequente e tangibiliza a maturidade do ecossistema empreendedor.

Por isso, minha intenção é desmistificar a decisão sobre qual Canvas utilizar. Mas, já antecipo a minha resposta: depende e apenas uma pessoa pode afirmar qual é o melhor para o seu momento. Ao longo do conteúdo vou te apresentar a lógica que pode guiar a sua decisão.

Vamos lá?

Alex Osterwalder, pesquisador americano, foi um dos precursores da modelagem de negócio através do Canvas. Ele, em parceria com seu professor Ives Pigneur publicaram o livro sobre o Business o Model Canvas.

Talvez essa seja a ferramenta de modelagem mais famosa e aplicada no mundo inteiro.

São 9 blocos, que definem toda a lógica como uma organização cria, entrega e captura valor, conforme a imagem acima.

Pensando em negócios de impacto social, esse Canvas não apresenta campos específicos sobre questões relacionadas a impacto, mas claro que é possível transmitir toda a lógica de impacto em alguns dos blocos..

Dependendo do negócio, seu impacto pode estar explícito no campo Proposta de Valor (acessibilidade e baixo custo) ou até mesmo no segmento de clientes, onde tem foco no posicionamento do negócio em públicos de periferia ou minorizados, por exemplo.

Mas levando em conta, um acompanhamento do impacto, com métricas e resultados de curto e longo prazo este não é o Canvas ideal.

Além disso, devido aos campos do lado esquerdo como: atividades e parcerias-chave, que definem todo o racional do negócio para entregar sua proposta de valor, estes campos tendem a ser mais aplicáveis para negócios que estão em um período maior de maturidade.

Agora, para negócios de impacto em processo de validação e testes, em que o modelo de negócio ainda está indefinido, esse mapeamento mais detalhado pode não ser o ideal e, por isso, aqui na Semente Negócios, sugerimos outros tipo de Canvas…

Lean Canvas para negócios de impacto, quando usar?


Como mencionado, esse é o Canvas usado principalmente para negócios em estágio de validação e teste de hipóteses. Assim, para negócios de impacto que estão no período de ideação ou lançamento da organização, este Canvas pode ser bem importante no seu planejamento.

Fonte: Portal Analista modelos de negócios.

No ecossistema empreendedor as mudanças e transformações passaram a ser cada vez mais comuns. Antes, a ideia de negócio que era uma das partes fundamentais para o sucesso da organização, perdeu valor. Afinal, uma ideia de negócio sem uma boa execução não vale quase nada.

Nesse ambiente, incerto e instável, é questão de sobrevivência a validação de um negócio, e o Lean Canvas pode ser o caminho, principalmente para negócios de impacto.

Esta ferramenta, foi desenvolvida por Ash Maurya e inspirada no Business Model Canvas que falamos anteriormente. Isso porque, quando desenvolvida, o autor percebeu que o Canvas “tradicional” tende a apresentar o modelo de negócios final da organização e perde todo o “aprendizado” que levou a construção de uma empresa de sucesso.

Assim, o Lean Canvas tem maior ênfase na validação de hipóteses de cada um dos campos.

Agora, o segmento de clientes é uma hipótese, a proposta de valor única é uma hipótese e até mesmo o problema que a organização resolve, também é uma hipótese. 

E se você está desenvolvendo um negócio de impacto, esse conceito e mentalidade é ainda mais fundamental: planejar o seu negócio como um conjunto de testes e hipóteses a serem verificadas, e quando validadas serão incluídas no modelo de negócios (até um novo teste).

Essa é uma forma de mitigar os riscos de uma organização, mapeando as principais incertezas do negócio.

Por isso, vou te ajudar a refletir sobre cada um dos campos do Lean Canvas, que é uma das ferramentas base do Caminho Empreendedor, metodologia própria desenvolvida pela Semente Negócios aplicada à negócios inovadores.

Como funciona o Lean Canvas e exemplos

O Lean Canvas possui uma ordem de preenchimento conforme a seguir:

modelo do lean canvas
Fonte: Nuvemshop

Vou comentar aqui dois campos, trazendo reflexões, abordagens e exemplos para negócios de impacto:


Problema

Todo empreendedor deve entender o problema que resolve para depois seguir no desenvolvimento de uma solução, isso evita um dos problemas mais comuns: criar um produto ou negócio que resolve um problema que não existe, ou não é tão relevante.

Esse lado racional de pensar uma organização é fundamental para um negócio de impacto. Por definição, um negócio social resolve um problema social e ambiental, então, essa pode ser a base para o preenchimento do seu Canvas.

É o caso do Jaubra, que inicialmente, tem como proposta resolver problemas da mobilidade urbana dentro das periferias de São Paulo. Atualmente eles validaram também a criação de um marketplace que conecta moradores da quebrada com negócios locais da região.

Vale lembrar que o Lean Canvas é uma ferramenta visual para planejar as hipóteses que seu negócio resolve, não precisa necessariamente ser algo que você já faça atualmente, inclua na ferramenta possíveis problemas e depois teste cada um.


Métricas-chave


Esse é um campo que o Lean Canvas possui em distinção do Business Model Canvas. Independente do porte ou tamanho do negócio é fundamental medir o progresso da organização.

Assim, é preciso entender as métricas-chave do negócio para monitorar seus avanços. E aqui, é importante um negócio de impacto levantar quais as hipóteses de métricas e indicadores chave para mensurar o sucesso do seu negócio e o impacto gerado.

Alguns exemplos de métricas são: quantidade de CO² poupado, % de clientes de classes CDE, quantidade de material reciclado / metareciclado, empregos gerados em negócios com foco na empregabilidade entre outros.

Um exemplo de negócio de impacto é o Metarecicla, que recicla lixo eletrônico dando um novo uso para o material. Eles já metareciclaram mais de 30 toneladas e essa é uma das métricas-chave do negócio.

Assim, avalie quais são as métricas chaves do seu negócio de impacto, converse em equipe como vocês podem medir o desempenho do empreendimento. Leve também em consideração métricas-chaves do negócio, até mesmo aquelas que não estão diretamente relacionadas ao impacto, mas que são essenciais para medir o progresso do negócio. Exemplo: faturamento, nº de clientes atendidos e indicadores de satisfação de clientes.

Modelo C: feito sob medida para negócios de impacto social

Desenvolvido em 2018, em parceria da Move Social com o Sense-lab, o Modelo C tem como foco negócios de impacto socioambiental. O foco dessa ferramenta foi de integrar e reconhecer a “interligação indissociável” entre o lado racional do modelo de negócio com o impacto gerado. 

exemplo de canvas modelo c. ilustrativo do conteúdo sobre lean canvas
Fonte: Inovação em Cidadania Empresarial.

Assim, o Modelo C, integra o Business Model Canvas com a Teoria da Mudança, ferramenta essencial para negócios de impacto.

A proposta da ferramenta é a integração dessas duas áreas que devem trabalhar em concomitância, isso porque, para um negócio de impacto, a mudança no modelo de receita pode invalidar  o modelo de impacto e vice-versa. Uma das formas de entender como um empreendimento gera impacto é trazendo a sinergia entre o modelo de negócio e de impacto desde a concepção. Isso pode ser feito através do Modelo C.

O Modelo C é uma ferramenta que se divide em 3 partes: Capacidade Organizacional, Fluxo do Negócio e Teoria da Mudança.

A lógica é que as duas primeiras partes dão suporte a uma intervenção que deve gerar mudanças sociais e/ou ambientais, reforçando a conexão entre a estrutura do negócio com a tese de impacto.

O Modelo C foi consolidado em um guia de referência, o Guia Modelo C – #changemodel, caso queira se aprofundar no assunto, aqui você acessa na íntegra.

Sobre quando usar o Modelo C… tenho dois pontos de vista.

O primeiro é que, mesmo que o Modelo C integre as principais áreas de um negócio de impacto social, o fato dele ter 17 campos para preenchimento pode não ser o ideal para um negócio em estágio inicial e validação.

Isso pode causar uma inação do empreendedor, ficando apenas no planejamento, devido a uma maior complexidade, quando comparada aos 9 campos do Lean Canvas ou do Business Model Canvas.

Outro ponto de vista é que para negócios já consolidados é bem importante a validação dos canais, seja de relacionamento e de vendas. Este é o coração para conectar a sua proposta de valor e impacto, com o segmento de clientes.

Assim, sugiro usar o Modelo C quando o negócio de impacto já tiver passado pelas fases iniciais de validação.

Afinal, qual Canvas utilizar?

Nesse artigo, apresentei o Business Model Canvas, Lean Canvas e o Modelo C, apresentando algumas aplicações e exemplos para se aprofundar.

Cada uma das ferramentas citadas é fruto da experiência de profissionais da inovação, empreendedorismo e inovação, no Brasil e no mundo.

Acredito que eu não seja a pessoa ideal para dizer qual é a melhor ferramenta para o seu momento e sim você, empreendedor de impacto. Você é que conhece a realidade do seu negócio, seus pontos fortes e de melhoria.

Eu costumo propor nas consultorias e oficinas que facilito, uma mentalidade de teste e de execução. Por isso, teste, coloque em prática, veja o que faz mais sentido para o seu momento.

Mas além disso, independente da ferramenta, técnica ou método que utilize, o “colocar em prática” tem um valor infinitamente maior. De nada adianta um Canvas metodologicamente impecável se o seu consumidor não identifica valor no produto, ou se o negócio não gera o impacto planejado.

O Canvas é um ponto de partida do planejamento do negócio, mas a execução e melhoria contínua é que potencializa o seu sucesso.

O que acha?

Até a próxima 😉

Adriano Morais

Adriano Morais

Atua na coordenação de projetos de aceleração de negócios com foco em inovação social e desenvolvimento de territórios, realiza consultorias e facilitação de workshops. Formado em Gestão Comercial, Pós-graduado em Marketing e Negócios Digitais. É apaixonado por impacto social, empreendedorismo e marketing digital. Tem como propósito ajudar empreendedores a gerarem mais resultados em seus negócios, impactando seus familiares e pessoas ao seu redor. Atuou como Estrategista Digital, Copywriter e Empreendedor.

4 comentários em “Lean canvas x business model canvas x modelo C: quando usar cada um para o seu negócio de impacto”

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