Como criar e gerir o portfólio de inovação

Sumário


Dadas as expectativas de mercado atuais, as pressões competitivas globais, o ritmo das mudanças estruturais e a extensão das disrupções que atingem os negócios no mundo corporativo, pessoas da mais alta gerência até os níveis mais operacionais já têm certeza de uma coisa: a viabilidade de uma empresa, ano a ano, depende da sua capacidade de inovar.

Segundo um estudo publicado pela Accenture em janeiro, empresas com um forte histórico em inovação, que conseguiram atingir um equilíbrio entre suas iniciativas inovativas e criaram ferramentas e recursos para gerenciá-las, apresentam crescimento médio 2 vezes maior do que aquelas que não o fazem.

Estas empresas, em vez de esperar que seu futuro surja através de esforços em oportunidades aleatórias, que competem entre si por tempo, dinheiro e atenção, gerenciam o que chamamos de portfólio de inovação.


Mas o que é um portfólio de inovação?

Portfólio é um conjunto de projetos ou produtos desenvolvidos sob gerenciamento de uma organização. Todos esses projetos ou produtos concorrem por recursos limitados – sejam humanos, materiais ou financeiros – são interdependentes, uma vez que podem compartilhar a mesma tecnologia ou insumos e podem possuir objetivos conflitantes.

Gerenciar um portfólio é a ação de esclarecer as opções de projetos ou produtos disponíveis, comparar os méritos e deméritos de cada opção, identificar e explorar sinergias entre estas opções e escolher aquelas que receberão maior investimento (financeiro e de tempo).

Quando falamos em inovação, o gerenciamento do portfólio passa a levar em consideração as opções de projetos de inovação disponíveis para investimento, que são classificados em três horizontes: core, adjacente e transformacional.

Inovações em core

Inovações em core, também identificadas como H1, são aquelas melhorias incrementais em produtos já maduros que estejam gerando receita e lucros para a empresa.

Inovações em transformacional

Inovações em transformacional ou H3, são aqueles projetos que ficam distantes do que a empresa faz hoje e, muito possivelmente envolve mudanças no próprio modelo de negócios.

Inovações em adjacente

Inovações em adjacente ou H2 são todas aquelas inovações que ficam entre o core e o transformacional, sendo novos produtos para os mesmos clientes ou então os mesmos produtos, mas para mercados diferentes. 

A figura a seguir demonstra como os Horizontes podem ser posicionados:

Gráfico de horizontes


Equilíbrio do portfólio de inovação

Buscar o equilíbrio saudável de inovação core, adjacente e transformacional é um passo vital para gerenciar um portfólio de inovações, principalmente para mitigar o risco.

Mas imediatamente levanta uma questão: para cumprir a promessa desse equilíbrio, a empresa deve ser capaz de executar ações em todos os três horizontes de inovação? Infelizmente, as ferramentas gerenciais necessárias para manter a inovação dentro de um processo varia muito de acordo com o tipo de inovação. Poucas empresas são boas nas três.

Normalmente a maior dificuldade é gerenciar projetos no horizonte transformacional, onde os indicadores padrões de resultados não conseguem medir a eficácia ou eficiência do projeto.

Um estudo do Corporate Strategy Board mostra que as empresas maduras que tentam entrar em novos negócios falham em 99% das vezes. Isso reflete a dura verdade de que para alcançar a transformação – para fazer coisas diferentes – uma organização geralmente precisa fazer as coisas de maneira diferente. Precisa de pessoas diferentes, diferentes fatores motivacionais e diferentes sistemas de apoio.

Aquelas organizações que acertam, pensaram cuidadosamente em estruturas específicas de gerenciamento que atendem aos três níveis de inovação.

O gerenciamento de portfólio core e adjacente envolve encontrar boas ideias num vasto número de opções, normalmente disponíveis por programas de intraempreendedorismo ou conexões com o ecossistema de inovação, e garantir que estas sigam todos os passos de validação do processo de inovação.

Já o gerenciamento do portfólio transformacional envolve maiores níveis de incerteza e risco, onde o número de ideias disponíveis é menor, e o processo de validação das mesmas não será tão linear.

Em outras palavras, os esforços de transformação geralmente não são gerenciados com uma abordagem de funil; eles exigem um processo não-linear no qual alternativas potenciais permanecem indefinidas por um longo período de tempo. Essa é outra razão pela qual um processo de estágios é tão letal para a inovação transformacional.

organizações do futuro

Balanceamento de portfólio

Diante disso, surge outro termo muito utilizado no mundo da inovação: o balanceamento de portfólio. Mas o que significa balancear um portfólio de inovação?

Podemos fazer um paralelo ao mundo dos investimentos financeiros pessoais, onde os especialistas indicam que é necessário possuir uma reserva de emergência aplicada num investimento mais seguro que garanta alguns meses de sobrevivência caso algo fora do normal aconteça. O restante, deve ser investido de maneira diversificada, a fim de equilibrar a carteira. Também é importante levar em consideração a preponderância do perfil do investidor em assumir riscos.

Quando falamos em inovação acontece mais ou menos da mesma maneira, as empresas investem em iniciativas onde deverão equilibrar risco e recompensa, com o objetivo de construir um portfólio que produza o maior retorno possível compatível com o apetite por riscos que essa determinada empresa tem.


Leia também: Conheça os 13 princípios da inovação corporativa


Opções de balanceamento do Portfólio de Inovação

Apesar de ainda não haver uma fórmula que determine qual a melhor opção de balanceamento de portfólio, diversos autores defendem que a empresa precisa levar em consideração três aspectos principais: maximização de valor, balanceamento e alinhamento estratégico.

1-  Maximização de valor: distribuir os investimentos conforme a probabilidade de retorno que os projetos poderão dar para a empresa;

2-  Balanceamento: investir nos três horizontes de inovação, apesar de haver a propensão de focar mais investimentos e esforços no horizonte core;

3-  Alinhamento estratégico: definir objetivos claros para com o portfólio de inovação e as expectativas de ganhos.

Por muitos anos, especialistas indicaram que um balanceamento ideal de portfólio de inovação deveria possuir 70% dos investimentos no horizonte core, 20% no horizonte adjacente e 10% no horizonte transformacional.

No entanto, com o advento de Startups e o encurtamento das ondas de Schumpeter, essa lógica já não é mais aplicada. Cada segmento de negócios possui uma preponderância específica de investimentos e, cada empresa precisa analisar o seu mercado para então decidir sobre como balancear o seu portfólio.

No entanto, existem dois modelos que usualmente são aceitos ao redor do mundo e podem servir de embasamento para aquelas corporações que desejam iniciar a trabalhar com as técnicas de balanceamento de portfólio. Esses modelos levam em consideração o objetivo principal que a empresa determina para com o seu portfólio de inovação e a sua preponderância ao risco.

Modelo 1 – Portfólio Maduro

Se destina àquelas organizações em que a cultura da inovação está em fase de desenvolvimento e a propensão ao risco ainda não é acentuada. Essas empresas querem investir em inovação, focando em cenários onde a incerteza não é tão alta, por isso os horizontes core e adjacente recebem mais investimentos.

Modelo 2- Portfólio Balanceado

Se destina àquelas organizações em que a cultura de inovação e a propensão ao risco já são mais acentuados. Essas empresas apostam em cenários onde há alto grau de incerteza, mirando resultados maiores. Dessa forma, os investimentos no horizonte transformacional são bastante equilibrados com os horizontes core e adjacente.

A figura abaixo ilustra as diferenças entre os dois modelos:

Gráfico de inovação


Concluindo

Cabe ressaltar que não existe fórmula mágica para o balanceamento de portfólio de inovação, cada empresa precisará analisar o seu mercado e sua atuação com o tema inovação, e adaptar ferramentas que melhor se encaixam com a sua realidade.

Para muitas empresas, a inovação continuará sendo um conjunto abrangente de atividades energéticas, mas descoordenadas. E para muitos gerentes, continuará sendo uma fonte de frustração. Para os melhores gerentes, no entanto, representa o desafio mais importante de todos.

Ao descobrir como gerenciar a inovação como um sistema integrado dentro dos objetivos gerais do portfólio, eles podem aproveitar sua energia e torná-la um driver confiável de crescimento.


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Tamiris Dinkowski

Tamiris Dinkowski

Focada em Governança Corporativa, atua na implementação de estratégias de inovação. Formada em Ciências Contábeis pela UFSM, especialista em Controladoria e Finanças pela PUC-RS, estudou Innovation Governance na University of Toronto. Foi Presidente do Conselho de Administração da Federação Gaúcha de Empresas Juniores e Conselheira na Confederação Brasileira. É fundadora do negócio digital miirum.com.

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