A importância do Problem Solution Fit

Sumário

Ao longo de minha jornada como mentor em startups, tenho notado algum padrão de comportamento entre os empreendedores, e que aqui, de forma simples, podemos dividir naqueles que buscam alcançar o Product Market Fit (encaixe produto-mercado) e os que buscam o Problem Solution Fit (encaixe problema-solução).

E, muitas vezes, estas duas nomenclaturas são tratadas como a mesma coisa, e não são!

Ao iniciar uma jornada empreendedora, os aventureiro(a)s devem se fazer a seguinte pergunta: Qual é o problema que estou resolvendo com o meu produto?

E é a partir desta resposta que começaremos a separar estas duas nomenclaturas, Problem Solution Fit e Product Market Fit.

Steve Blank, em sua obra “Startup: Manual do Empreendedor”, explica que a venda de determinado produto ou serviço é a geração de valor através da resolução de um problema ou de uma necessidade.

Sendo assim, para que haja sucesso nesta venda, é preciso conhecer a fundo, além da origem do problema, mas principalmente os clientes, personas, que possuem ou sofrem com este problema.

Sendo assim o encaixe problema-solução, Problem Solution Fit é quando a solução modelada resolve um problema relevante ou atende a uma necessidade identificada, em um determinado segmento de pessoas (público-alvo).

Fonte: LEANSTACK

Então, posso resumir que, quando em uma mentoria alguém diz que atingiu o Problem Solution Fit, eu entendo que a pessoa conseguiu alcançar o problema, que conseguiu validar as arriscadas suposições / hipóteses que faziam parte da sua ideia inicial.

Problem Solution Fit = Validar Problema

A validação de hipóteses de problema pode ocorrer de várias maneiras: fazendo entrevistas, pesquisas exploratórias, teste de fumaça, teste A/B e etc.

O importante neste momento é ter a certeza que o problema foi validado com pessoas reais!

Após este estágio, você sabe com quase certeza:

1 – Quem é seu cliente

2 – Por que seu cliente precisa do seu produto / serviço

3 – Que sua solução está resolvendo o problema de forma eficaz.

4 – Que sua solução é viável (econômica, tecnicamente, legalmente e etc)

E, o melhor, como você testou com cliente reais, você tem a prova do resultado e quem sabe já alguns bons feedbacks que lhe trarão maior clareza quanto às próximas etapas.

Neste sentido, acredito que o encaixe do produto no mercado – Product Market Fit – é uma segunda etapa, subsequente ao Problem Solution Fit.

Fonte: FourWeekMBA

Product Fit / Encaixe do produto, nada mais é que o estágio em que você começa a criar seu produto real e onde você otimiza a eficácia do seu produto. Você alcança o ajuste de produto quando seus primeiros adeptos aderam sua solução, trazendo alto nível de pontuação quanto ao engajamento, aderência e validação da ideia.

Depois de otimizar seu produto para seus primeiros adeptos, você expande seu mercado – Market Fit / encaixe do mercado.

Você alcança o Market Fit quando seu produto permanece eficaz, enquanto expande o mercado.

Resumindo, segundo Ash Maurya, partir direto para a construção do Mínimo Produto Viável – MVP em busca do encaixe do produto no mercado, o Product Market Fit é uma jogada arriscada e pode lhe colocar em armadilhas, justamente por estar querendo entregar algo sem entender o problema que o mercado alvo enfrenta e que, por sua vez, você quer resolver.

Tal ação pode atrasar a capacidade da startup de construir um produto que satisfaça o mercado.

Sendo assim, não comece com um MVP, faça as validações de hipótese de problema para depois construir o MVP.

Por fim, uma vez compreendido a diferença do encaixe do problema com a solução, o Problem Solution Fit e do produto com o mercado, o Product Market Fit, somente vá para o Product Market Fit uma vez que você tenha indícios suficientes de ter passado pelas validações do Problem Solution Fit.

Marcel Boff

Marcel Boff

Atua na coordenação das estratégias da vertical e nos principais projetos de aceleração de startups. Advogado pela ULBRA, pós graduado em Direito Público. Possui Micro Master em Digital Product Management pela University of Boston. É Scrum Master certificado pela International Scrum Institute. Especialista em Design Thinking pela University of Virginia. Atuou como CEO e CLO na Startup Santo Contrato.

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