Perfil Empreendedor: 3 perfis necessários para abrir uma Startup

Sumário


Não é de hoje que sabemos que abrir uma startup não é tarefa fácil, não é mesmo? Em todo o mundo, milhares de empreendedores e empreendedoras buscam conteúdos e ferramentas para apoiá-los na abertura de seus negócios.                   

“Mas afinal, o que preciso saber para empreender uma startup? Existe um perfil empreendedor ideal? Quais as competências necessárias para criar um negócio que resolva um problema real, em um mundo com cada vez mais incertezas? “

Não existem respostas simples para perguntas complexas, mas neste artigo, iremos facilitar!

Ao longo de 9 anos, capacitamos diretamente mais de 10 mil empreendedores e apoiamos mais de 2000 mil startups em todo o país, com esse aprendizado criamos a nossa própria metodologia de desenvolvimento de negócios inovadores, o Caminho Empreendedor. 

Nesse artigo, veremos 3 dos perfis necessários no desenvolvimento de startups.


O que são os Perfis?

Perfis são os papéis que a pessoa empreendedora deverá assumir e desenvolver ao longo do tempo. Logo, o perfil empreendedor é progressivo  ao desenvolvimento do negócio, ou seja, as competências trazidas aqui, precisarão estar presentes no time que integra a organização, não necessariamente na figura de uma pessoa, mas na equipe num geral. Vamos a elas?


Perfil 1: Explorador – Encontrar uma missão

O primeiro perfil empreendedor é vital e muito importante, está relacionado aos primeiros passos da criação do negócio. 

Antes de pensar em solução, em vendas e gestão, o foco ao empreender deve ser encontrar um problema que seja realmente relevante e que possa ser resolvido com a sua hipótese de solução inicial. 

É o primeiro passo para a criação de um negócio inovador visto que 42% das mortes das startups são devido falta de necessidade pelo mercado.

obsoleto

 

Seu desafio: Neste estágio a pessoa empreendedora está em fase de exploração do problema, aprendendo com possíveis clientes e buscando um modelo de negócio que faça sentido e possa ser testado.

Papel a desempenhar: Neste arquétipo a pessoa empreendedora deve ter a capacidade de buscar aprendizados, de estar aberta às informações, de ser empática, criativa, curiosa, e poder analisar o mercado para encontrar uma oportunidade real.

Competências a serem adquiridas: 

  • Empatia
  • Senso crítico
  • Escuta ativa
  • Busca de Informações 
  • Persuasão e Rede de Contatos 
  • Autoconhecimento

Na prática, você deve estar buscar ouvir sem julgar, e estudar muito sobre o problema, além de compreender o mercado que está inserido e aprender sobre seus principais atores.

Não precisa haver pressa para criar a solução. Precisa sim, estar claro que nada é tão inútil quanto destinar energia e tempo em algo que nem deveria ser feito, ou seja, explore, explore, e explore para ter certeza que você não vai construir algo que não existe demanda, ou que a demanda não pagaria por ele.


Perfil 2: Mobilizador – Prove que existe uma oportunidade

Mas como descobrir se o problema a ser resolvido é realmente relevante? A resposta para essa pergunta passa diretamente pela figura do empreendedor ou empreendedora. 

Ele é a principal variável para solucionar essa questão, pois para resolvermos um problema real, as partes afetadas por ele precisam ser envolvidas na construção da solução, e quem deve ter a capacidade de aproximar essas pessoas, engajá-las a contribuir e ouvi-las com escuta ativa é de quem está desenvolvendo o negócio.  

Empreendedoras

Seu desafio: Neste estágio os empreendedores e empreendedoras estão em fase de engajamento de um determinado público a fim de validar se há um número significativo de pessoas interessadas na proposta de valor e conhecê-las para definir seu posicionamento.

Papel a desempenhar: Neste arquétipo a pessoa empreendedora deve desenvolver as habilidades de comunicadora, agitadora, reconhecer padrões nas pessoas, engajar elas em torno de uma causa, e assim poder identificar um posicionamento claro que chame a atenção das pessoas.

Competências a serem adquiridas: 

  • Excelente comunicação
  • Identificar padrões 
  • Vulnerabilidade

Atenção!! Um dos principais erros de empreendedores ao desempenhar esse arquétipo, é levar consigo vieses cognitivos (padrões de distorção de julgamento) nos momentos de engajamento do público e nos espaços de análise de dados.  Esses, influenciam diretamente o perfil na tomada de decisão, levando-os a não se aterem aos fatos e padrões identificados no público e sim, a se basearem em achismos e crenças pessoais. 

Tal processo influencia negativamente o desenvolvimento do negócio, pois o ponto central é desenvolver uma mentalidade de teste de hipóteses, colocando toda sua ideia inicial à prova, e se esses testes são influenciados por vieses, todo o progresso passado e futuro do negócio é prejudicado. 

Por fim, é fundamental que o perfil desenvolva o que chamo de contra viés cognitivo, que significa estar sempre atento às armadilhas causadas por eles, e diante disso, observar quando os vieses agem a favor e quando agem contra. 


Perfil 3: Fazedor – Prove que você gera valor

Em demodays, bancas de seleção, e pitchs comumente ouvimos histórias de diversos negócios que começaram o desenvolvimento diretamente neste estágio. Sim, a pessoa tem a ideia e parte direto para a criação do solução! O que também acontece com frequência nesses casos: 

  1. Não há mercado suficiente.
  2. O problema existe mas quem sofre dele não pagaria por uma solução
  3. A proposta de valor não tem aderência no mercado. 

E pior: 

  1. A pessoa empreendedora gasta alguns zeros após a vírgula (leia-se: dinheiro, muito dinheiro) para desenvolver uma solução que soluciona um problema que não existe. 

Tudo isso pra dizer que: 

Não negligencie estágios anteriores, esteja atento(a) às competências a serem desenvolvidas, pois são elas que irão garantir que o desafio do estágio seja alcançado e teste tudo, se possível antes de fazer a solução. 

Dito isso, chegamos ao Fazedor, o nosso perfil empreendedor número 3: 

mão na massa

Seu desafio: Neste estágio a pessoa empreendedora está focada em entregar minimamente valor ao público-alvo, buscando resolver o problema da forma mais simples possível e verificar se as pessoas estão dispostas a pagar para resolvê-lo.

Papel a desempenhar: O arquétipo fazedor traz as capacidades de ter foco e resiliência para realizar entregas, mas ao mesmo tempo ter muita abertura para as mudanças que irão ocorrer durante a fase de testes do produto.

Competências a serem adquiridas:

  • Mentalidade ágil e conhecimento sobre metodologias ágeis
  • Foco na entrega de valor 
  • Abertura para compreender feedback
  • Alta capacidade de execução e entrega
  • Comprometimento 
  • Correr riscos calculados 

Após ter explorado o problema, interagido com quem sofre com o mesmo, o foco aqui é a entrega e a geração de valor, o que significa na prática resolver o problema do cliente com o mínimo esforço. 

Para isso, um aspecto fundamental é focar no que é realmente essencial para solucionar o problema. A priorização do que deve ser feito frente a diversas possibilidades é frequentemente um desafio para esse perfil. 

Comumente o fato da solução não estar pronta como o idealizado inicialmente incomoda quem está empreendendo. Entretanto, é preciso ter clareza que o principal aprendizado é adquirido na interação direta com quem sofre do problema, ou seja, não adianta ficar dentro de casa desenvolvendo a “solução perfeita” se o usuário não testá-la para dizer efetivamente o que será a tal solução ideal. 

Ao falarmos de perfil empreendedor, competências e atitudes, muito se imagina que se trata de uma receita de bolo, um passo a passo individual frente aos desafios que o negócio sofrerá. É importante deixar claro que não se trata disso, os perfis aqui trazidos servem como um guia criado com base em milhares de experiências práticas com diversos empreendedores, diversos negócios em diferentes níveis de maturidade. 

Como em todos os bons guias, agora você já pode começar a caminhar com mais clareza os passos da jornada empreendedora, você já sabe os perfis essenciais para a abertura da sua startup, as principais competências  demandadas e os desafios principais vivenciados pelos indivíduos no processo de desenvolvimento de um negócio inovador.   


Bônus: 4  dicas importantes sobre os perfis:

  1. É ilusório tentar se enquadrar inteiramente em um perfil empreendedor, entendemos que a liderança é situacional e por isso, precisa-se entender a essência de cada um deles, a busca por ele faz com que tenhamos êxito e não a sua totalidade. 
  2. Já que é ilusório, precisamos olhar para os perfis e enxergar a oportunidade para abertura de sociedade, entendendo que perfis complementares e diferentes experiências somam muito na construção do negócio.
  3. Os perfis servem como norte e direção, nos ajudam a deixar claro o que precisa ser focado e o que precisa ser delegado. Em uma equipe, fica mais fácil entendermos quais papéis temos capacidade para desempenhar, quais precisamos desenvolver e quais outras pessoas são mais aptas a adotá-los. 
  4. Os perfis são sobre competências, atitudes e habilidades e não sobre identidade do indivíduo, logo, eles não devem afetar a sua. 

Próximos passos:

  • Faça um auto diagnóstico, entenda quais competências você desempenha bem, quais você precisa desenvolver e quais você precisa delegar ou buscar novas pessoas para o time. 
  • Busque entender qual perfil o seu negócio demanda neste exato momento, liste as necessidades e desafios do mesmo e veja se suas atitudes e ações vem sendo coerentes com o que o negócio precisa. 
  • Liste tudo que você precisa aprender, elabore um plano de desenvolvimento e estude. O blog da Semente está repleto de conteúdos incríveis aguardando você. 

Conseguiu se identificar com algum perfil? Conte para nós aqui nos comentários.

Lucas Cortez

Lucas Cortez

Facilitador de conteúdos de inovação empreendedora, apoia a modelagem de startups na Semente. Graduando em Administração na EA/UFRGS. Foi Gerente de Projetos na PS Júnior, coordenou projetos de consultoria, foi Diretor de Formação Empreendedora na Brasil Júnior, onde liderou mais de 20 mil jovens em todo país, co-construiu metodologias de desenvolvimento de competências, foi responsável pelo suporte à federações de diversos estados e liderou a organização do maior encontro de empreendedorismo jovem do mundo, ENEJ 19.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *