ESG: Como trabalhar Inovação Social e Ambiental em grandes empresas

Sumário

Qual é a relação entre inovação e sustentabilidade? Como uma empresa pode preocupar-se com questões sociais e ambientais, ao mesmo tempo em que mantém uma vantagem competitiva sustentável?

Neste artigo, exploraremos um pouco do mundo dos investimentos ESG (sigla em inglês que significa “Ambientais, Sociais e de Governança”) para tentar responder a estas e outras perguntas.

Antes de começar, vamos falar sobre o elefante na sala:

A aparente contradição entre Lucro e Responsabilidade Socioambiental

Para que existe uma empresa? Se a sua resposta para esta pergunta é “para dar lucro”, você tem razão, pelo menos em parte. Historicamente, não temos muitas notícias de empresas que sobreviveram no longo prazo sem que tivessem lucro. Como Adam Smith escreveu em “A Riqueza das Nações”:

“[…] não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu “auto interesse”.

Durante séculos, o paradigma básico da atividade econômica foi este. Pessoas e empresas, buscando exclusivamente o seu próprio interesse, produziriam bens e serviços de maneira competitiva.

Ao longo do tempo o processo de concorrência garantiria que os insumos seriam utilizados da maneira mais produtiva possível, e bens e serviços chegariam ao mercado por preços acessíveis às pessoas num ciclo eterno de crescimento e aumento de bem-estar. 

Contudo, a realidade do século 21 nos exige uma sofisticação maior de pensamento e prática. As externalidades negativas produzidas pela nossa forma de gerar riqueza se acumularam a ponto de aproximar o planeta de uma seríssima catástrofe ambiental.

As desigualdades econômicas cada vez mais acentuadas ameaçam a estabilidade das sociedades contemporâneas. Neste contexto, empresas do mundo inteiro têm prestado atenção em outros fatores além do lucro de curto prazo – e isso não é apenas uma questão de “benevolência”.

ESG: benefícios e exemplos

Seja por pressão social, por regulações de mercado ou por iniciativa voluntária das empresas, vêm crescendo os investimentos em ESG (sigla em inglês que significa “Ambiental, Social e de Governança” – Environmental, Social and Governance). Segundo este artigo da McKinsey, a nível global estes investimentos já superam 30 Trilhões de dólares!

Além disso, existem evidências de que empresas com fortes práticas em ESG tendem a ter impactos positivos em seus resultados financeiros, especialmente no médio e longo prazo.

Estes resultados não acontecem à toa. Empresas com práticas ambientais sólidas – o ‘E’ da sigla ESG – se propõem a inovar constantemente, especialmente aperfeiçoando processos produtivos – o que gera um ciclo positivo de diminuição de custos e aumento de competitividade.

Um exemplo muito concreto é quando uma empresa adota práticas de otimização de uso da energia elétrica, diminuindo seu impacto ambiental e ao mesmo tempo reduzindo custos.

No tocante ao ‘S’ do ESG, o aspecto Social, os benefícios econômicos derivam principalmente de práticas de diversidade. Empresas com quadros diversos se beneficiam de uma maior variedade de ideias, e de maior empatia com seus públicos. Consequentemente, seus resultados melhoram, especialmente em inovação.

Em termos de impactos financeiros, o ‘G’ de Governança tem um peso gigantesco. Empresas com boas práticas de governança têm uma propensão maior a captar investimentos, e como vimos anteriormente existe um mercado crescente de investimentos voltados a empresas com boas práticas em ESG.

Existem fundos de investimento internacionais, como a Black Rock, que investem pesadamente nisso. No Brasil, um case interessante é o da Pragma, gestora de fundos que escolhe seus investimentos olhando principalmente para a capacidade de governança das empresas investidas.

Um exemplo de boa prática em Governança, no contexto de ESG, é adotar uma política de real transparência em relação à divulgação dos dados de impacto socioambiental da companhia, não divulgando apenas resultados muito positivos. Ao explicitar os fatores em que a companhia ainda está buscando evoluir (e as ações que estão sendo tomadas para isso) a empresa ganha vários pontos de credibilidade frente a investidores e consumidores.

Como trabalhar Inovação e Sustentabilidade

Como vimos anteriormente, existem motivos de sobra para que as empresas invistam em boas práticas de ESG. Agora, exploraremos um pouco sobre como conciliar inovação e sustentabilidade para alavancar os resultados das empresas nestes quesitos.

1 – Começar pelas lideranças

É muito difícil que a empresa consiga levar adiante ações de inovação e sustentabilidade sem que as lideranças estejam verdadeiramente engajadas com esta temática. Portanto, é importante que as pessoas em posição executiva comprem a ideia e a transmitam aos demais níveis hierárquicos da companhia.

Além de transmitir a ideia às demais pessoas da empresa, os líderes serão os responsáveis finais pela efetiva governança da empresa. Portanto, é fundamental que tenham o conhecimento, o engajamento e a capacidade para lidar com esta temática.

Quando investidores especializados em ESG analisam empresas para o seu portfólio, o perfil das lideranças é uma das principais variáveis levadas em consideração para que se façam aportes.

2 – Olhar para os processos

Nem sempre será possível desenvolver produtos ou serviços inovadores a ponto de trazerem externalidades positivas. Na maioria dos casos, os ganhos em ESG vêm de melhorias nos processos produtivos. Reduções na utilização de insumos como energia e água, otimizações de rotas logísticas que permitam economias de combustível, melhorias de processo que reduzam desperdícios… Inovações nestas áreas são importantíssimas e não devem ser ignoradas, até porque trazem ganhos financeiros significativos.

Estas inovações muitas vezes serão propostas por pessoas de dentro da própria empresa, e uma ótima maneira de fomentar isso é com programas de intraempreendedorismo. Desta maneira, é possível alavancar os talentos internos da empresa ao mesmo tempo em que se aprofunda a cultura de inovação. 

3 – Mensurar cada vez melhor

Cada negócio tem as suas particularidades, os seus impactos e os seus indicadores. Quando se trata de inovar para tornar-se mais sustentável, é preciso entender profundamente os inputs e outputs da empresa, para identificar as principais oportunidades de redução de impactos socioambientais negativos e custos financeiros.

Uma das maiores dificuldades de investidores especializados em ESG é justamente a credibilidade e a não padronização dos indicadores apresentados pelas empresas. Portanto, investir tempo para construir bons indicadores e mensurá-los de forma consistente poderá ser um grande diferencial da empresa na hora de buscar este tipo de investimento.

Caminhos para implementar ESG na sua empresa 

O caminho para a excelência em ESG é longo e complexo, porém os resultados valem o esforço. Cortar caminhos e tentar vender a empresa como uma maravilha ambiental e social é um grande risco, que pode levar a sérios prejuízos financeiros e de imagem.

Para ajudar a motivar as lideranças a adotar práticas de ESG, uma boa ideia é atrelar as metas de ESG à compensação financeira das pessoas em cargo executivo, como já fazem empresas como Alcoa e Exelon. No caso da Alcoa, por exemplo, 20% da remuneração de executivos(as) está vinculado a metas de ESG.

Não é mais possível ignorar os impactos sociais e ambientais das nossas atividades econômicas. Se a sua empresa ainda não se preocupa com estes assuntos, pode ter certeza que cedo ou tarde as pressões de consumidores, investidores, governos e até mesmo outras empresas irão forçar uma mudança.

Estrategicamente faz mais sentido antecipar-se a estas demandas e adotar uma postura proativa – até por que, como vimos, existem aqui grandes oportunidades de ganhos financeiros para as empresas.


A Semente Negócios pode apoiar sua empresa no processo de investimentos em ESG. Entre em contato com a gente por aqui ou mande um email para contato@sementenegocios.com.br!

Matheus Steffen

Matheus Steffen

Atua no diagnóstico e desenvolvimento de processos de inovação. Economista formado pela UFRGS. Foi presidente da empresa júnior Equilíbrio Assessoria Econômica e trabalhou na área de Sales Planning da Dell Computadores. Foi sócio fundador na Heylove, loja online onde atuou como CEO até vender sua parcela da empresa.

3 comentários em “ESG: Como trabalhar Inovação Social e Ambiental em grandes empresas”

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