Inovação social: o que é e como promover na sua empresa

Sumário

O que é inovação social de fato, quais caminhos tomar e de que maneira é possível trazer isso para a realidade da sua empresa? É o que você confere neste artigo!

Em um mundo extremamente desigual e em constante transformação, pensar em questões sociais e ambientais tem se tornado um ponto-chave para empresas e corporações que desejam se manter vivas. Logo, se faz cada vez mais necessário elaborar ideias, construir processos e exercer movimentos que nos levem a superar as dificuldades e, com isso, prosperar. 

Nesse sentido, a inovação social como forma de gerar prosperidade para empresas e indivíduos no mundo tem se tornado um conceito importante para imaginar futuros possíveis. Pois a compreensão da inovação como meio de resolver problemas reais nos mais diferentes âmbitos da sociedade é capaz de fazer movimentar todo um ecossistema. Continue a leitura!

A inovação social no contexto da atualidade

É notório que cada vez mais pessoas e empresas estão empenhadas em agir com responsabilidade diante das diferentes demandas sociais existentes no mundo hoje. Nesse contexto, um termo-chave bastante procurado é o de inovação social.

O termo surgiu a partir da publicação de um artigo na Stanford Social Innovation Review. À época, entendia-se por inovação social “o processo de inventar, garantir apoio e implementar novas soluções para necessidades e problemas sociais, dissolvendo fronteiras e intermediando o diálogo entre os setores público, privado e o terceiro setor”.

Contudo, o conceito foi revisto, levando em conta as novas complexidades. Com isso, passou-se a entender por inovação social:

“Uma nova solução para um problema social que é mais eficaz, eficiente, sustentável, ou mesmo de uma solução já existente, para o qual o valor criado se reverte principalmente para a sociedade como um todo, e não para indivíduos privados.” (em tradução livre).

Nesses parâmetros, o conceito de inovação social se abre para iniciativas que estão para além da criação tecnológica ou um produto, por exemplo. Como uma ação efetiva, podemos encontrá-la em uma lei, em uma metodologia ou um processo – ou mesmo numa combinação entre elas.

Para a Semente, inovar significa resolver problemas reais com soluções de mercado em contextos de altos níveis de incerteza. Logo, empresas ou negócios que tomam a inovação social nesse sentido, lidam com a incerteza a partir do risco como oportunidade de trazer à tona soluções prósperas.

Vemos que uma pessoa está escrevendo algumas ideias com um pincel em um quadro transparente (imagem ilustrativa).

Assim, quando juntamos inovação à prosperidade, falamos de um processo pelo qual podemos ampliar a geração de riquezas, do bem-estar econômico, social e político das pessoas exatamente porque lançamos um olhar atento para os problemas que realmente importam – gerando impacto e valorizando aquilo que as pessoas têm de mais importante: suas vidas.

Quais são os tipos de iniciativas ligadas à inovação social?

Os tipos de iniciativas ligadas à inovação social podem variar de acordo com a área de atuação e interesse da empresa ou negócio. Todavia, é comum que girem em torno de alguns objetivos comuns:

  • Capacitação
  • Geração de emprego e renda
  • Preservação ambiental
  • Economia regenerativa

Dentro dessa linha lógica, inicia-se um percurso envolvendo as inteligências pessoais de indivíduos e comunidades inteiras em prol de uma mudança das formas de pensar as realidades. Em seguida, parte-se para imaginar formas de gerar trabalho e renda, através do fortalecimento do empreendedorismo local, culminando no propósito de desenvolver negócios atentos às demandas de mercado atual.

O que fica como saldo são iniciativas que nascem orientadas a tomar as questões ambientais e de bem-estar social como fundamento de si. Veja e entenda melhor quais são os tipos de iniciativas ligadas à inovação social a seguir.

Capacitação

Esse objetivo tem por fundamento a organização de cursos de formação específicos para grupos, incluindo os em situação de vulnerabilidade. Dessa forma, as empresas podem contribuir para a inclusão de diversos atores na economia, formando mão de obra qualificada e trazendo desenvolvimento socioeconômico para o território onde estão inseridas.

O escopo da capacitação pode ir desde a capacitação de pessoas empreendedoras, lideranças em inovação, alfabetização de jovens e adultos, inclusão digital e até mesmo escolas de gastronomia, dependendo da vocação do território e da tese de impacto da empresa.

Geração de trabalho e renda

Objetiva criar uma rede capaz de fortalecer o empreendedorismo local e o desenvolvimento territorial, envolvendo desde fornecedores de matéria-prima, até mesmo pessoas empreendedoras locais. Por meio de programas de incubação e aceleração de negócios, por exemplo, os grupos recebem suporte na estruturação da atividade e capacitação empreendedora para que possam crescer, movimentar a economia local e gerar novas oportunidades de emprego para a comunidade.

Preservação ambiental e economia regenerativa

Por fim, a preservação ambiental e economia regenerativa tem por fundamento a parceria com institutos e associações locais para o uso de fontes naturais de maneira correta. Por exemplo, a reciclagem e reaproveitamento de material para a criação de outros produtos, o que permite às empresas transformar seu passivo ambiental em um ativo. Isso gera novas fontes de economia ao mesmo tempo em que o meio ambiente é preservado.

Com as transformações no mercado de produtos sustentáveis, o desenvolvimento de projetos ambientais contribui para tornar as empresas mais sustentáveis e competitivas.

Do mesmo modo, há empresas ou negócios que nascem com o propósito de resolver determinados problemas. É o caso de iniciativas alinhadas com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Organizações das Nações Unidas (ONU). Tais objetivos são um apelo global à ação para solucionar problemas relacionados aos âmbitos sociais, ambientais e políticos – e também tem ampla relação com consumo e produção responsáveis.

Vemos algumas pessoas à mesa trabalhando em conjunto (imagem ilustrativa). Texto: inovação social.

Muitas iniciativas e negócios na atualidade nascem alinhados com os 17 ODS, o que pode funcionar como um parâmetro de identificação dos limites entre responsabilidade e impacto social efetivo.

Diferentes posturas envolvendo Marketing de causa e a inovação social

O marketing de causa é uma vertente do marketing cuja empresa envolvida promove esforços sociais e ambientais nas comunidades de que faz parte ou outras que necessitem da sua atenção.

Um exemplo desse tipo de iniciativa é o McDia Feliz, que destina a renda líquida da venda do sanduíche Big Mac em um dia para dezenas de instituições de combate ao câncer infanto-juvenil no país. Outro exemplo é a água mineral ama, produzida pela Ambev, que destina 100% dos lucros para projetos sociais de acesso à água potável.

O mesmo se pode dizer sobre empresas que fazem ações de fim de ano, como arrecadação de donativos ou atividades de voluntariado. Porém, apesar de válidas, essas iniciativas são pontuais, se limitando a um período ou um resultado esperado. Por outro lado, os projetos e propostas ligadas à inovação social mostram que é possível ir além.

As chamadas marcas de impacto agem de acordo com um propósito. Isso porque o impacto social pode ser a atividade principal ou um projeto paralelo, mas que tem como característica ser uma frente de trabalho contínua e comprometida em gerar soluções e mudanças sociais duradouras que farão diferença para as comunidades e territórios beneficiados.

Sendo assim, não se trata meramente de posicionamento de mercado. Mas, sim, de algo que condiz com a verdade da organização e está inserida no modelo de negócio. A principal questão envolvendo marcas de impacto alinhadas com a inovação social está na transformação a que as pessoas do ecossistema envolvido passam, a partir de um propósito preestabelecido.

Aqui na Semente, temos como propósito gerar prosperidade por meio da inovação que valoriza a vida, a partir de ações que reafirmam a autonomia de pessoas empreendedoras e as impulsionam a criar soluções criativas.

ESG e sua relação com a promoção da inovação social

Sigla para Environmental Social Governance, ESG, em tradução livre, seria o mesmo que governança socioambiental. Refere-se às práticas de empresas ou entidades voltadas ao meio ambiente, à responsabilidade social e ao impacto de suas ações em prol da sociedade.

São temas ligados à ESG: biodiversidade, gestão de resíduos e satisfação do cliente; proteção de dados e privacidade, relacionamento com a comunidade, conduta corporativa etc. Tudo isso levando em conta políticas, processos e estratégias de orientação da administração.

Tais práticas funcionam como régua para indicar e representar a capacidade das empresas de acolher valores e demandas sociais e integrá-las ao negócio. Isso dá a possibilidade de conseguirem equacionar quais são seus impactos positivos e negativos e agir sobre eles – minimizando os que não fazem sentido e potencializando aquilo que dá certo.

Já a sua relação com a inovação social se dá justamente pela proposta de criação de práticas sustentáveis nas mais diversas atividades econômicas. Além do mais, tal postura ajuda as pessoas gestoras das empresas a reduzirem custos de capital e aumentar o seu valor de mercado, justamente por se tornarem mais sócio e ambientalmente relevantes.

O ESG é meio e não fim, e serve como um primeiro passo para olhar para os indicadores, não sendo portanto uma perspectiva nova. Em outros termos, ele não é uma evolução da sustentabilidade empresarial, mas sim a própria sustentabilidade empresarial.

Qual é o propósito de inovar com impacto?

Na atualidade, as pessoas querem se relacionar com empresas que tenham um propósito. No contexto das ações ligadas à inovação social, essa questão está intimamente associada à capacidade de engajar indivíduos e setores em prol da criação de soluções de valor para a sociedade no geral, e não para grupos específicos.

Vemos uma lâmpada sobre a terra com uma muda de árvore dentro (imagem ilustrativa). Texto: inovação social.

Em outras palavras, há uma preocupação com a coletivização dessas propostas cujo objetivo é a construção de um mundo cada vez melhor. E isso é ainda mais importante em uma realidade de produção e consumo desenfreados, o que traz consequências graves para a sociedade e o meio ambiente.

Uma companhia com atividade em larga escala, por exemplo, pode agir de forma ética com toda sua cadeia produtiva e com a sociedade, a partir da conexão com negócios de impacto.

Como o de ser capaz de gerar impacto social e ambiental; a mensuração do nível desse impacto; ser financeiramente sustentável, além de ter uma gestão que leve em conta os interesses dos clientes, investidores e, sobretudo, da comunidade envolvida.

Dentro de empresas, os projetos ligados à inovação social podem nascer a partir de um núcleo especial criado para esse objetivo – o de investir pensando em impacto. Há companhias que se voltam à inovação corporativa e, dentro de seus laboratórios de inovação, dedicam parte dos seus esforços para atuar nessa frente em paralelo.

É o que a Natura fez, por meio do Laboratório de Inovação Social, que aconteceu com a consultoria da Semente. O Movimento Natura concentra iniciativas da empresa que envolvem metodologias inovadoras em sua aplicação. Tem o objetivo de promover a melhora na qualidade de vida das consultoras e das famílias delas. São programas voltados às áreas da saúde, educação e direitos da mulher.

Pode onde começar a inovar com impacto

Se sua organização não é parte da solução, então ela é parte do problema. Portanto para começar: pense grande! Seja audacioso na diferença que você pretende fazer. Para isso, baseie-se nas necessidades reais do mundo, e não nas suas restrições e na sua visão de curto prazo de alcance incremental.

Comece pequeno: iniciar pequeno facilita aprendizados e adaptações. Isso porque, essa abordagem facilitará o alcance de maior escala de impacto no longo prazo. Além disso, busque implacavelmente o impacto, levando a cabo o problema e não a solução em si. A questão fundamental é olhar para o coletivo da ação, o bem que ela gerará para o mundo.

Além disso, é importante olhar para quatro elementos da inovação, a fim e compreender os mecanismos pelos quais a sua vertente social percorre. São eles:

  1. O processo de inovar: que envolve fatores técnicos, sociais e econômicos.
  2. A solução ou produto: resultado que chamamos de inovação adequada.
  3. Difusão da inovação: ou seja, meio pelo qual a sociedade vai aderir à essa inovação.
  4. O valor final criado pela inovação.

Estes quadro pontos formam a base para a primeira parte da definição de inovação social proposta pela Stanford Social Innovation (que apresentamos logo na primeira seção do artigo).

Promover a inovação social é promover futuros mais prósperos

Com o propósito de gerar prosperidade por meio da inovação que valoriza a vida, a Semente se faz alinhada com os princípios da governança socioambiental ou ESG. E isso é resultado do nosso entendimento de que não há futuros possíveis sem um olhar atento para o que temos hoje em termos sociais e ambientais.

Para tanto, a Semente trabalha para a evolução de ecossistemas prósperos, ou seja, de ambientes onde diferentes atores entendem a inovação como força motora para o desenvolvimento social e econômico, alavancando o empreendedorismo como instrumento de mudanças socioambientais. Além disso, preza pelo desenvolvimento da liberdade em pessoas para serem capazes de aprender e praticar a inovação, e potencializa essa mesma competência em grandes organizações.

O exercício e a defesa de uma inovação dedicada à valorização da vida – o propósito da Semente enquanto empresa –, diz respeito à geração de prosperidade e valor compartilhado para pessoas, comunidades, organizações e territórios envolvidos.

Saiba mais sobre o trabalho da Semente, que ajuda organizações a inovar e promover transformações!

Janderson Silva

Janderson Silva

Redator. Graduado em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela Universidade FUMEC e mestre em comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Tem experiência com redação, revisão, SEO, copywriting, produção de conteúdo, assessoria de comunicação e de imprensa. Na pós-graduação, desenvolveu trabalhos na área de editoração de revistas do segmento cultural e dossiês com a temática Queer. Hoje atua diretamente com o blog da Semente.

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