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Definição de desafios: um dos primeiros passos na conexão com startups

Sumário

Como já tratamos aqui, um dos veículos de inovação aberta mais utilizados por grandes empresas nos últimos anos é a conexão com startups. Uma das formas de conexão mais comuns é a contratação da startup como fornecedora de serviços de backoffice. Dessa forma, a corporação ganha maturidade na relação com startups e conquista maior segurança para iniciar projetos de cocriação e desenvolvimento relacionados ao core business.

O processo de conexão pode ser intermediado por associações de empresas, como o Instituto Hélice ou o Instituto Caldeira, mas também há a possibilidade de a empresa fazer a conexão de forma independente – na Semente, vivenciamos essas duas situações. Ao trabalhar a conexão com startups em conjunto com outras corporações, o processo se torna mais atrativo para as startups, que têm a oportunidade de apresentar sua solução para vários potenciais clientes.

Portanto, aumenta-se a chance das corporações encontrarem melhores startups para ajudar na resolução dos desafios mapeados. Ao buscar conectar-se com startups de forma direta, sem parcerias com outras empresas, a vantagem é que se pode tratar exatamente o desafio da própria empresa, sem a necessidade de conciliar as demandas de vários parceiros na hora de consolidar os desafios comunicados ao mercado.

Conexão com startups: mapeando os desafios

O preciso e assertivo mapeamento ou definição do(s) desafio(s) para qual a empresa deseja buscar conexões é parte fundamental do processo – além de ser essencial, também, para aumentar a chance de sucesso da conexão com startups e as oportunidades de POC.

Ao montar desafios para lançar ao mercado, é preciso levar em consideração o equilíbrio entre especificidade e abrangência do desafio. Isso porque, com desafios mais abrangentes, aumentamos o número de startups inscritas, mas corremos o risco de não acertar exatamente na demanda que queremos sanar.

O primeiro ponto de atenção é pensar em um desafio que a empresa esteja disposta e que tenha orçamento para trabalhar em conexão com startups por meio da inovação aberta. Como comentado anteriormente, muitas vezes esses desafios estão ligados à inovação em processos de backoffice da empresa, focando em dificuldades operacionais existentes que podem vir a ser solucionadas ou melhoradas consideravelmente com tecnologias e soluções inovadoras.

O segundo é o envolvimento das pessoas certas na elaboração do desafio. Pessoas responsáveis pela estratégia da empresa são importantes para manter o alinhamento com o que é prioritário hoje pensando no futuro, além de garantir que haja orçamento para a contratação da POC. Outras pessoas essenciais são especialistas na área do desafio (quando este estiver conectado a uma área em específico), para compartilhar a vivência dos problemas, as soluções já testadas e a visão do que seria o desafio resolvido.

A partir da formação desse grupo, o primeiro passo será sempre um levantamento de desafios em formato de brainstorming. Depois de listados e priorizados, é possível partir para a elaboração dos desafios prioritários, que serão explorados e detalhados neste processo.

Para esse momento, a Semente criou um framework que facilita a construção: o Canvas de Definição do Desafio. Composto por nove campos, além do que chamamos de “slogan do desafio”, o Canvas une ferramentas de análise de problemas, como a Árvore de Problemas.

A seguir, detalhamos os campos do Canvas de Definição do Desafio, o que pode facilitar na compreensão e mapeamento dos desafios das corporações que podem ser solucionados por meio da conexão com startups.

  1. Problema: Lembre-se que o desafio é um problema, não uma possível solução. Qual o problema central que estamos querendo resolver? Descreva o problema.
  2. Causas do Problema: Quais são as causas raízes do problema central? O que faz esse problema acontecer?
  3. Efeitos do Problema: Quais são as consequências e efeitos negativos causados por esse problema?
  4. Setores mais Afetados: Quais são os setores mais afetados com esse problema? Pode haver um ou mais setores direta ou indiretamente afetados pelo desafio.
  5. Problemas Relacionados: Existem outros problemas relacionados à problemática central?
  6. Impacto nos Resultados da Empresa: Qual impacto da resolução desse desafio nos resultados da empresa? Exemplo: aumento de faturamento, ganho de produtividade, redução de custos, impacto socioambiental positivo, etc. 
  7. Definição de Problema Resolvido: O que nos faria considerar esse problema “resolvido”? Resultados quantitativos e qualitativos buscados para considerarmos o desafio “resolvido” ou “consideravelmente melhorado”.
  8. Soluções já Testadas: A empresa já tentou resolver esse desafio? Como? O que deu errado?
  9. Hipóteses de Solução: Você tem ideias de como esse desafio poderia ser resolvido?

Slogan do Desafio: Que frase curta traz a essência do seu desafio?

Pontos importantes

Lembre-se do equilíbrio entre abrangência e especificidade na hora de formular desafios. Não adianta pedir para uma startup resolver todos os problemas da sua empresa, ou mesmo de uma área da empresa – a maior parte das startups inicia buscando um problema bem específico para resolver, e é preciso levar isso em consideração.

Por outro lado, ao determinar quais desafios a sua empresa lançará ao mercado, busque ser abrangente o suficiente para que diversas soluções possam surgir no seu radar, e mantenha a mente aberta a possibilidades de solução ligeiramente diferentes do que você havia imaginado inicialmente.

Vale a pena ter em mente, também, que a startup não irá trabalhar sozinha para resolver os seus desafios. O modelo de inovação aberta através de interação com startups é eficaz e gera bons resultados justamente quando há envolvimento do time da startup e do time interno da empresa, numa dinâmica de cocriação de soluções.

Além de obter soluções importantes para o seu negócio, você perceberá que a cultura de inovação se fortalecerá na sua empresa, pois a dinâmica de trabalho com a startup será fonte de grande aprendizado para as pessoas que estiverem envolvidas no projeto da POC, e depois na escala dessa solução na corporação.

Ficou curioso(a) em relação a processos de conexão entre grandes empresas e startups? Entre em contato conosco! A Semente tem ampla experiência neste assunto, e ficaremos muito felizes em te ajudar a desenhar o programa de inovação aberta ideal para a sua empresa.

Daniel Kunde

Daniel Kunde

Na Semente, atua como consultor de inovação corporativa, desde no desenvolvimento de programas de intraempreendedorimos até no provei de conexão com startups. Apaixonado por inovação, acredita que ela é essencial para o crescimento sustentável de um negócio e tem a capacidade de impactar a vida das pessoas. Formado em Administração na UFRGS, possui MBA em Estratégia e Inovação Empresarial pela Universidade Feevale. Foi Agente Local de Inovação do SEBRAE, levando a cultura da inovação para pequenas empresas.

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