ecossistemas de inovação

Ecossistemas de inovação: entenda o que são e como se organizam

Sumário

A palavra ecossistema, usada originalmente na biologia, remete às interações que ocorrem em determinado ambiente. É uma expressão que extrapola abordagens segmentadas sobre o mundo, incluindo um fator essencial: as relações. Como o conceito se aplica a todas as áreas da vida, faz sentido levá-lo para outras frentes além da ciência natural. A partir dessa ideia, surgem os ecossistemas de inovação. 

Mas como os termos ecossistema e inovação se conectam? Na mesma lógica do que acontece na natureza, os processos inovativos são potencializados quando existe colaboração entre diferentes agentes. Ao invés de uma empresa ou instituição inovar de forma isolada, apenas em benefício próprio, os esforços passam a ser coletivos e os resultados compartilhados. 

Os ecossistemas de inovação podem ser desenvolvidos a partir de um mapeamento territorial, em cidades ou regiões, e também dentro de espaços específicos, como empresas. Um ecossistema integra e fortalece o outro, como vamos explicar neste artigo. Siga a leitura e explore um panorama geral sobre o tema!

O que são ecossistemas de inovação

Antes de pensar sobre ecossistemas na perspectiva da inovação, é importante retomar a origem do termo e compreendê-lo em essência. Vamos lá!

Ecossistemas são compostos pelas relações entre seres vivos, não-vivos e o ambiente em que estão inseridos. As interações formam um sistema equilibrado, estável e autossuficiente. 

O conceito de ecossistemas de negócios foi abordado pela primeira vez na década de 90, por James Moore, que descreveu a formação de redes colaborativas compostas por sistemas e subsistemas dinâmicos, nos quais existem relações interdependentes e mudanças constantes.

Já se passaram quase 30 anos desde a citação de Moore, mas o ponto de vista precursor dele se tornou ainda mais relevante no complexo contexto social e de mercado atual. Os ecossistemas de inovação incorporam o mesmo fundamento de criação de redes com agentes que colaboram entre si para a geração de valor compartilhado. A diferença está na motivação central desses ecossistemas: identificar problemas e propor soluções inovadoras para resolvê-los.

A colaboração impulsiona a inovação à medida que forma um ambiente com condições favoráveis em termos de cultura, investimento, política, recursos intelectuais e tecnologia. Essa é a base de um ecossistema de inovação com relações sinérgicas e harmoniosas, capaz de responder com agilidade a movimentos internos e externos.

Para saber mais sobre cultura de inovação, conheça a metodologia da Semente.

ecossistemas de inovação

Principais agentes dos ecossistemas de inovação

Quando falamos sobre ecossistemas de inovação, estamos nos referindo à interação de agentes bastante diversos. Aliás, a pluralidade é um fator-chave para sustentar um ambiente de empreendedorismo próspero e favorável à geração de valor compartilhado. 

De modo geral, podemos elencar 6 grandes grupos nos quais os principais atores do ecossistema se concentram. Saiba a seguir quais são: 

Empresas e empreendedores

As empresas podem ser consideradas um elemento central no ecossistema de inovação, já que o próprio mercado exige delas um fluxo contínuo de geração de ideias. O potencial inovativo de uma comunidade cresce se houver colaboração de negócios com portes variados, inclusive de empreendedores individuais. As diferentes demandas e recursos desses negócios enriquecem todo o processo, desde a identificação de problemas até o desenvolvimento de soluções.

Pessoas empreendedoras

Além de empresas já estruturadas, as pessoas empreendedoras também desempenham um papel crucial em um ecossistema de inovação. Elas se beneficiam das interações com os demais atores e das condições favoráveis para o desenvolvimento de novos negócios e das capacidades empreendedoras. 

Instituições de ensino

As instituições de ensino agregam um olhar científico aos ecossistemas de inovação. Nas universidades, os grupos de pesquisa e desenvolvimento exercem uma função essencialmente inovadora, criando produtos e tecnologias disruptivas em um ambiente de baixo risco. A partir da interação com os demais agentes do ecossistema, as pessoas que integram esses grupos têm a oportunidade de utilizar o trabalho acadêmico para gerar impacto real à vida das pessoas.

Agências de fomento

Os ecossistemas de empreendedorismo e inovação são muito beneficiados com a atuação das agências de fomento. Nesse grupo entram entidades e fundações sem fins lucrativos, e o Sistema S, por exemplo. O objetivo das agências de fomento é oferecer suporte, seja em termos financeiros ou técnicos, para o desenvolvimento de empresas. 

Incubadoras e parques tecnológicos

Mais um grupo de agentes que apoiam a criação de novos negócios, especialmente startups ou projetos de base tecnológica. Geralmente, as incubadoras e os parques tecnológicos disponibilizam espaços físicos estruturados para pessoas que estão no início da jornada empreendedora, além de capacitações e mentorias em todas as frentes de uma empresa.

Instituições públicas

A inserção de instituições públicas nos ecossistemas de inovação garante a oferta de incentivos que facilitem a atuação de todos os agentes e o estabelecimento de vínculos entre eles. Isso inclui desde a desburocratização de processos até a criação de políticas que assegurem benefícios fiscais e financeiros às organizações que fazem parte do ecossistema.

Como desenvolver um ecossistema de inovação

Na natureza, a sabedoria intrínseca dos elementos dá conta de criar ecossistemas sem que haja necessidade de qualquer interferência. Para aplicar o conceito em comunidades de negócios e criar ecossistemas de inovação, o processo não acontece da mesma forma. É preciso intenção, planejamento e consistência de todos os agentes envolvidos para fazer a região prosperar.

A seguir, listamos um checklist das etapas que devem fazer parte do processo de desenvolvimento de um ecossistema de inovação:

Mapeamento de potencialidades


Com a observação atenta de florestas, é possível perceber que, embora pareçam muito similares, cada ambiente tem elementos e formas de interação únicas. O que funciona para um ecossistema, não necessariamente se aplica a outro.

Esse raciocínio pode ser muito bem integrado à formação de ecossistemas de inovação. Imagine que uma cidade da região Centro-Oeste do Brasil queira se firmar como uma comunidade de inovação e decide implementar as mesmas estratégias e ações usadas no Vale do Silício. As chances de não dar certo são grandes!

Para um ecossistema de inovação cumprir o objetivo de gerar valor compartilhado, é necessário entender as características particulares da região. Esse mapeamento inclui a análise dos principais desafios socioambientais, das potencialidades e dos recursos disponíveis.

Identificação dos atores-chave


Os grandes grupos de agentes que abordamos anteriormente são um balizador para identificar quais são os atores-chave de um ecossistema de inovação. É preciso seguir uma abordagem inclusiva e garantir a representatividade dos diferentes integrantes do empreendedorismo regional, incluindo indivíduos, empresas, startups, associações, instituições públicas, investidores, entre outros.

Estudo de tendências


A pesquisa de referências nacionais e globais oferece exemplos de negócios, soluções e tecnologias já validados em outras regiões. Com base nessas tendências, e no mapeamento de potencialidades e dos atores-chave, é possível desenhar que podem ser seguidos pelo ecossistema que está sendo desenvolvido, conectando a realidade local ao que pode ser considerado o “estado da arte” da inovação.

Quais são os benefícios de integrar um ecossistema de inovação

Para as organizações que têm a inovação como pilar fundamental, participar ativamente de um ecossistema voltado a esse objetivo se torna algo muito natural. Mas a realidade é diferente para a maioria dos negócios. As estruturas rígidas, com processos e rotinas estabelecidos, dificultam o fluxo de geração de ideias. Nessas empresas, inovar passa a ser tanto uma necessidade, como um desafio.

Os ecossistemas de inovação oferecem um cenário favorável, criado a partir da conexão entre diferentes atores, que é capaz de ultrapassar limitações internas e fazer toda a rede prosperar. Como a base desses ecossistemas é a geração de valor compartilhado, os benefícios alcançados coletivamente impactam tanto startups como grandes corporações, além dos outros agentes e da comunidade local.

Veja como um negócio pode aproveitar o envolvimento com um ecossistema de inovação!

Troca de conhecimento e experiências

Um dos fatores que cria barreiras para a inovação é o contato com uma realidade restrita. Por mais tempo de atuação no mercado que uma empresa tenha, não há como substituir a troca de conhecimento e experiências com negócios de outros portes e segmentos. Cada agente do ecossistema identifica problemas a partir daquilo que vivencia e pode contribuir com pontos de vista diferentes para a cocriação de soluções inovadoras.

A colaboração permite que uma empresa aprenda com os erros de outros negócios, incorpore boas práticas e enriqueça o repertório de referências. Além disso, ideias que são amplamente debatidas e aprimoradas por um grupo diverso de pessoas tendem a ser mais efetivas.

Ampliação do networking

Um ecossistema de inovação pode render vínculos estratégicos a um negócio. O contato frequente com uma rede de empresas e profissionais proporciona amplas oportunidades para encontrar novos fornecedores, clientes, investidores e parceiros. A grande vantagem desse networking é que os atores de um ecossistema têm objetivos similares, facilitando o alinhamento de expectativas.

Não são apenas conexões diretas que surgem de um ecossistema de inovação. As relações de confiança estabelecidas entre os agentes também se refletem em indicações e no fortalecimento da imagem de uma empresa na comunidade.

Recrutamento de pessoas talentosas

As pessoas são a engrenagem que move a inovação. É a capacidade humana de criar que possibilita a geração de ideias realmente capazes de solucionar problemas. Por isso, não há nada mais importante para negócios inovadores do que contratar pessoas talentosas para fazer parte das equipes internas.

Quando se inserem em ecossistemas de inovação, as empresas desenvolvem características valorizadas por talentos em busca de espaço no ambiente corporativo atual, como flexibilidade, abertura ao novo, tolerância ao erro e colaboração. Esses negócios também passam a ser mais vistos por jovens em formação e pessoas interessadas em contribuir com uma cultura inovadora. Como consequência, os processos de recrutamento e seleção se tornam mais eficazes na atração de profissionais com as competências desejadas.

ecossistemas de inovação

Ecossistemas corporativos de inovação

Assim como as comunidades locais constroem ambientes favoráveis para que a inovação aconteça, as empresas também precisam aplicar a mesma lógica internamente. Em uma escala menor, as organizações são igualmente formadas por diferentes figuras (no caso, pessoas em departamentos ou setores), que são influenciadas por determinada cultura e estrutura. Esses elementos interagem constantemente, definindo o fluxo de informações e recursos.

A formação de um ecossistema corporativo de inovação tem o objetivo de implantar dentro das empresas um contexto de estímulo à circulação de ideias e à testagem de novas propostas. Para que isso seja possível, é necessário que algumas condições coexistam em equilíbrio. Entenda quais são!

Talentos e habilidades

Já não é segredo que as pessoas são o centro da inovação. Nesse quesito, um dos pontos mais importantes para negócios inovadores é a diversidade de conhecimentos, experiências (pessoais e profissionais) e concepções a respeito da realidade. Muito mais do que habilidade técnica, as empresas necessitam de equipes plurais e disponíveis para colaborar e experimentar.

Mas de nada adianta formar times repletos de talentos se não houver ferramentas adequadas para que as pessoas expressem o seu potencial. Um ecossistema corporativo de inovação deve contemplar métodos ágeis de trabalho, como SCRUM, Lean Startup, Design Thinking, Kanban, XP e Caminho Empreendedor.

Abordagem aplicada ao mercado e focada em ações práticas!​

O Caminho Empreendedor é a metodologia desenvolvida pela Semente aplicado a negócios inovadores. O método está baseado na nossa experiência de uma década de trabalho junto a mais de 30 mil pessoas empreendedoras.

Recursos

Os recursos de um ecossistema corporativo de inovação incluem a estrutura física e o clima organizacional, que devem promover a interação entre pessoas de setores distintos e viabilizar a execução de um fluxo de trabalho ágil e maleável. 

Junto ao espaço, também é necessário tempo para inovar. A empresa tem que orientar formalmente as pessoas sobre como elas podem dedicar parte do seu horário de trabalho para geração de novas ideias. Caso esse aspecto não seja bem comunicado, a rotina diária pode se tornar um impeditivo à inovação. 

Por fim, a destinação de recursos financeiros para inovação precisa estar presente no orçamento da empresa, de modo que esse aspecto não seja um dificultador no processo.

Cultura

Não há inovação sem uma cultura que a ampare. Isso significa que os valores e as práticas que sustentam a atuação de uma empresa são essenciais para a construção de um ambiente onde as pessoas se sintam confortáveis para se expressar, sugerir, arriscar e aprender. Em um ecossistema corporativo de inovação, a cultura é instituída por meio de ações consistentes com toda a equipe.

Governança

Quando se trata de governança, a empresa deve definir uma estrutura de tomada de decisão em que as ideias possam ser facilmente avaliadas, testadas e implementadas. Esses processos são desafiadores porque exigem organização, mas não podem restringir a criatividade e a liberdade das pessoas para inovar.

Em um ecossistema corporativo de inovação, as estruturas costumam ser descentralizadas e menos burocráticas. As equipes ganham um alto nível de autonomia para gerir os próprios projetos, analisar indicadores, corrigir erros e seguir adiante com as ideias propostas. 

Liderança

Por mais descentralizada que seja a estrutura de uma empresa, a liderança continua exercendo um papel fundamental nos ecossistemas corporativos de inovação. As pessoas que ocupam cargos de gestão são responsáveis pelo encorajamento e suporte da equipe, assim como pela visão estratégica de médio e longo prazo, que excede a inovação centrada no modelo de negócio vigente.

Com uma liderança engajada, os negócios conseguem, de fato, consolidar uma cultura e uma estrutura de governança direcionada à inovação, apoiar talentos na manifestação do seu potencial e conduzir projetos com soluções e tecnologias disruptivas.

Ecossistema de inovação: colaboração a serviço da prosperidade

Os ecossistemas de inovação formados dentro das empresas são também integrantes de uma rede mais ampla em que os agentes colaboram para gerar valor compartilhado. As atuações interna e externa se retroalimentam e direcionam o negócio e a comunidade no sentido da prosperidade.

A Semente Negócios facilita o desenvolvimento de ecossistemas de inovação baseados em relações genuínas, aprendizagem constante e respostas rápidas às situações de incerteza.

Conheça o trabalho da Semente para ajudar organizações a inovar e promover transformações!

Semente Negócios

Semente Negócios

A Semente é uma empresa de educação empreendedora que aposta na inovação como ferramenta para a geração de prosperidade, desenhando e executando projetos customizados em três frentes: Programas de Empreendedorismo e Aceleração; Projetos de Inovação Corporativa; e Programas de Desenvolvimento Territorial. Em 10 anos promovendo prosperidade por meio da inovação, a Semente já atuou no Brasil e outros nove países apoiando mais de duas mil empresas tais como Vale, Natura, Mercur, Sebrae, Senac, Vivo, BB Seguros, entre outros.

3 comentários em “Ecossistemas de inovação: entenda o que são e como se organizam”

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