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Modelagem de negócios de impacto: inovação como processo, impacto como resultado

Sumário

Como funciona a modelagem de negócios de impacto? Diferentes pesquisas apontam que não há mais espaço para organizações que nascem com o único objetivo de gerar lucro aos acionistas. De acordo com o relatório anual Oxfam 2017, comparativo de desigualdade e desenvolvimento entre 140 nações, o Brasil ocupa a 7ª posição como a mais desigual do mundo.

Além disso, somo o país que mais concentra renda na porcentagem de 1% da população mais rica. Logo, pensando no futuro, em um contexto pós-pandêmico, se torna urgente ajustar “a lente” dos negócios para as questões socioambientais. Sendo assim, as preocupações devem se voltar para o desenvolvimento de modelos de negócio que reduzam a pobreza, a vulnerabilidade das pessoas e comunidades, e propiciem o alcance do equilíbrio sustentável com o meio ambiente.

A crise sanitária  trouxe à tona as mazelas já existentes em nossa sociedade no que diz respeito às desigualdades sociais e problemas ambientais. Nesse mesmo contexto, também emergiram os empreendedores sociais. Tais atores são classificados como quem tem como propósito solucionar ou amenizar problemas sociais por meio dos seus negócios de impacto.

Sendo assim, neste texto, você irá entender como modelar negócios de impacto e o seu ferramental, bem como

O que são negócios de impacto social? 

O termo “negócio social” surgiu na década de 1970, com o economista e banqueiro bengali Muhammad Yunus, criador do Grameen Bank. Posteriormente, o modelo foi apropriado no ocidente por meio dos estadunidenses Stuart Hart e Michael Chu, que redefiniram o conceito.

Ao ser introduzido à linguagem corporativa no ocidente, o termo negócio de impacto social perde o radical “social”. Isso se dá, pois, deste lado do globo, consideramos que essa característica já está implícita no que se entende por negócios de impacto.

Atualmente, o termo que mais se aproxima do conceito de negócio social é negócio de impacto. Isso porque porque ele já contempla uma preocupação real com o social e o investimento nas suas causas.

Para a Semente, negócios de impacto são aqueles que buscam resolver problemas reais e intencionam causar impacto positivo na sociedade e no meio ambiente. Esses negócios estão localizados entre as organizações da sociedade civil, que dependem de doações; e negócios tradicionais que só visam o lucro, sem se dedicar à valorização da vida. 

Organograma que indica onde estão inseridos os negócios de impacto social.

Desse forma, os negócios de impacto social têm possibilidade de atuação ampla. Eles abrangem áreas diversas, como educação, serviços de saúde, mobilidade urbana e redução de emissões de carbono, entre outras urgências sociais.

Ao mesmo tempo, estão relacionados a um ou mais dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Inclusive, sugerimos um artigo no blog da Semente em que destrinchamos cada um dos ODS com exemplos. Vale a leitura!

Características de um negócio de impacto

A intenção de resolver um problema social, por si só, não caracteriza um negócio como sendo de impacto. Isso, pois, outras organizações têm essa intencionalidade, mas não compartilham de um modelo de negócio mercadológico e não possuem uma sustentabilidade econômica.

Seguindo essa lógica, cabe destacar os quatro princípios para negócios de impacto no Brasil: 

  1. Intencionalidade: tem como propósito gerar impacto socioambiental positivo (explícito na sua missão);
  2. Mensuração de impacto: conhecem, mensuram e avaliam o seu impacto periodicamente;
  3. Sustentabilidade econômica: geram receitas próprias a partir da comercialização de produtos e serviços;
  4. Governança: que leva em consideração os interesses de investidores, clientes e a comunidade (não fazem o que fazem a qualquer custo).

De acordo com a imagem acima, um negócio de impacto social nasce da intencionalidade. Em seguida, desenha-se a Teoria da Mudança; valida-se no modelo de negócio e é comprovado na medição de impacto.

Depois de entender se o seu processo de empreender se enquadra no que é classificado como empreendedorismo social, é necessário pensar em um modelo de negócio que, além de promover impacto socioambiental, seja mercadologicamente sustentável. 

Como modelar um negócio de impacto?

No livro Business Model Generation, Alexander Osterwalder explica que modelar um negócio, em linhas gerais, é dizer qual a forma que esse negócio cria, entrega e captura valor: 

  • Criação de valor: benefícios que serão entregues pelo produto ou serviço que você está se propondo a entregar;
  • Entregar valor: meios pelos quais você irá distribuir esse valor para seus clientes;
  • Captura de valor: formas pelas quais você imagina monetizar a sua solução e gerar dinheiro por meio da entrega de valor citada.

Ferramentas para modelagem de negócios

A seguir, você conhece as ferramentas para modelagem de negócios utilizadas pela Semente.

Business Model Canvas × Lean Canvas × modelo C

Ambas são formas compactas e visuais para modelagem. Entretanto, existem orientações/restrições conforme estágio do negócio, seja ele tradicional ou de impacto. O Lean Canvas ,que é uma das ferramentas base do Caminho Empreendedor, metodologia própria desenvolvida pela Semente Negócios, aplicada a negócios inovadores, se adapta melhor aos negócios em fases iniciais, por exemplo. 

Para aprofundamento nessas especificidades, sugerimos a leitura do artigo Lean Canvas x Business Model Canvas x Modelo C: quando usar cada um para o seu negócio de impacto.

Por fim, cabe destacar que, em se tratando de negócios de impacto, o Modelo C é composto pela integração da Teoria de Mudança e do Canvas Business Model. É um dos modelos mais praticados pelo ecossistema de empreendedorismo de impacto no Brasil, uma vez que consegue considerar, estrategicamente, áreas do negócio e objetivos de impacto no médio e longo prazo. 

Para a Semente, inovar não é somente aplicar metodologias ágeis e alçar mão de tecnologias em um negócio. É, na verdade, resolver problemas reais em ambientes com altos níveis de incerteza. Sendo assim, quando falamos de inovação social, esse conceito é aplicado à resolução de problemas sociais e ambientais. 

A última edição do Mapa de Negócios de Impacto, realizado pela Pipe.Social, destaca que “o maior volume dos negócios de impacto, 8 em cada 10, continua entre os estágios de desenvolvimento da solução até organização de negócio, especialmente na busca por um modelo que gere alguma sustentabilidade financeira. A partir da fase de piloto, 7 em cada 10 negócios já têm pensado um modelo de negócio mas é só a partir da etapa de tração que metade dos negócios mapeados de fato passa a parar de pé”. 

Em suma, com esse resultado, fica evidente a importância da modelagem de negócios para o desenvolvimento sustentável dos negócios de impacto.

Como a Semente atua na modelagem de negócios de impacto social?

Considerando os primeiros 10 anos de história da Semente, em que acompanhamos mais de 30 mil pessoas empreendedoras, muitas delas de impacto social, e operamos programas com foco em acelerar negócios como o Acelera e o VaiTec, cabe destacar alguns pontos de atenção à modelagem de negócios de impacto social:

  •  Conheça  o problema (Veja como a pesquisa exploratória pode ser aplicada para conhecer o problema dos clientes);
  • Identifique quem será o cliente beneficiário e quem será o cliente pagante dessa solução;
  • Relacionar sustentabilidade financeira à garantia e potencialização do impacto (aqui é pensar para além do propósito e entender que a sustentabilidade financeira viabilizará a longevidade do negócio, garantido assim a promoção do impacto por mais tempo e para, cada vez mais, pessoas).

Nós acreditamos que a aprendizagem do empreendedorismo é uma ferramenta potente para o desenvolvimento de ecossistemas inovadores que impactam positivamente a sociedade.

Para tanto, a Semente trabalha para a evolução de ecossistemas prósperos, ou seja, de ambientes onde diferentes atores entendem a inovação como força motora para o desenvolvimento social e econômico, alavancando o empreendedorismo como instrumento de mudanças socioambientais.

A aposta na inovação como ferramenta para geração de prosperidade está no desenho e na execução de projetos, customizados pela Semente, em três frentes: programas de empreendedorismo e aceleração; projetos de inovação corporativa; e programas de desenvolvimento territorial.

Ao mesmo tempo, está na construção e no trabalho com metodologias próprias, como o Caminho Empreendedor, a Corporate-Up e a metodologia de Inovação Social, voltadas para a incorporação de conhecimentos teóricos e práticos que incentivam a autonomia de pessoas e organizações na trajetória voltada à inovação.

Gostou deste conteúdo? Então, você pode se interessar pelo texto Ecossistemas de inovação: entenda o que são e como se organizam. Clique e acesse agora mesmo!

Josy Santos

Josy Santos

Formada em administração, mestranda em Empreendedorismo e Negócios pelo BRITO Instituto. É especialista em negócios liderados por mulheres, diversidade e inovação. Possui vivências em liderança de projetos com foco em empreendedorismo, em especial o feminino e periférico, desde 2015. Atua como gestora de projetos de empreendedorismo feminino (SEBRAE SC e ENGIE, no programa Mulheres do Nosso Bairro) e consultora de inovação social e facilitadora de workshops e oficinas (DELAS e VAI TEC). Possui especialização em diversidade e inovação.

4 comentários em “Modelagem de negócios de impacto: inovação como processo, impacto como resultado”

  1. Sim acredito que minha empresa Águia Real Orgânicos está preparada para o futuro! E preocupando e agindo de forma sustentavel com o meio ambiente e as futuras gerações.

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