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Modelagem de negócios de impacto social: inovação como processo, impacto como resultado

Sumário

Há tempos, diferentes pesquisas apontam que não há mais espaço para organizações que nascem com o único objetivo de gerar lucro aos acionistas. Segundo o relatório anual de Oxfam 2017, levantamento que realiza um comparativo de desigualdade e desenvolvimento entre 140 nações do mundo, o Brasil ocupa a sétima posição como país mais desigual do mundo, além de ser o que mais concentra renda na porcentagem de 1% da população mais rica da nação. 

E pensando no futuro, em um contexto pós pandêmico, se torna urgente ajustar “a lente” dos negócios para as questões socioambientais. As preocupações devem se voltar para o desenvolvimento de modelos de negócio que reduzam a pobreza, reduzam a vulnerabilidade das pessoas e comunidades, e propiciem o alcance do equilíbrio sustentável com o meio ambiente.

A crise sanitária  trouxe à tona as mazelas já existentes em nossa sociedade no que diz respeito às desigualdades sociais e problemas ambientais. Nesse mesmo contexto, também emergiram os empreendedores sociais, que são classificados como aqueles que tem como propósito solucionar ou amenizar problemas sociais por meio dos seus negócios de impacto.

Mas o que são negócios de impacto social? 

Para a Semente, negócios de impacto social são aqueles que buscam resolver problemas reais e intencionam causar impacto positivo na sociedade e no meio ambiente. Esses negócios estão localizados entre as organizações da sociedade civil, que dependem de doações, e negócios tradicionais que só visam o lucro, sem se dedicar à promoção da vida. 

organograma que indica onde estão inseridos os negócios de impacto social

Desse modo, os negócios de impacto social têm possibilidade de atuação ampla, abrangendo áreas diversas, como qualidade da educação, serviços de saúde, mobilidade urbana e redução de emissões de carbono, entre outras urgências sociais.

Ao mesmo tempo, estão relacionados a um ou mais dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Inclusive, sugiro um artigo da Semente em que destrinchamos cada um dos ODS com exemplos. Vale a leitura!

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A intencionalidade de resolver um problema social, por si só, não caracteriza um negócio como sendo de impacto. Isso porque outras organizações têm essa intencionalidade, mas não compartilham de um modelo de negócio mercadológico e não possuem uma sustentabilidade econômica. Seguindo essa lógica, cabe destacar os quatro princípios para negócios de impacto no Brasil: 

1-  Intencionalidade: tem como propósito gerar impacto socioambiental positivo (explícito na sua missão);

2- Mensuração de impacto: conhecem, mensuram e avaliam o seu impacto periodicamente;

3- Sustentabilidade econômica: geram receitas próprias a partir da comercialização de produtos e serviços;

4- Governança: possuem um governança que leva em consideração os interesses de investidores, clientes e a comunidade (não fazem o que fazem a qualquer custo).

Dinâmica de estruturação e atuação de um negócio de impacto social.

Conforme a imagem acima, um negócio de impacto social nasce da intencionalidade, é desenhado na teoria da mudança, validado no modelo de negócio e comprovado na medição de impacto.

Depois de entender se o seu processo de empreender se enquadra no que é classificado como empreendedorismo social, é necessário pensar em um modelo de negócio que, além de promover impacto socioambiental, seja mercadologicamente sustentável. 

No livro Business Model Generation, Alexander Osterwalder explica que modelar um negócio, em linhas gerais, é dizer qual a forma que esse negócio cria, entrega e captura valor: 

  • Criação de valor: benefícios que serão entregues pelo produto ou serviço que você está se propondo a entregar;
  • Entrega de valor: meios pelos quais você irá distribuir esse valor para seus clientes;
  • Captura de valor: formas pelas quais você imagina monetizar a sua solução e gerar dinheiro através da entrega do valor criado.

Ferramenta para modelagem de negócios

A seguir, você conhece as ferramentas para modelagem de negócios utilizadas pela Semente.

Business Model Canvas× Lean Canvas× modelo C

Ambas são formas compactas e visuais para modelagem, entretanto existem orientações/ restrições conforme estágio do negócio, seja ele tradicional ou de impacto. O Lean Canvas,que é uma das ferramentas base do Caminho Empreendedor, metodologia própria desenvolvida pela Semente Negócios aplicada a negócios inovadores, se adapta melhor aos negócios em fases iniciais, por exemplo. 

Para aprofundamento nessas especificidades sugiro a leitura do artigo: Lean Canvas x Business Model Canvas x Modelo C: quando usar cada um para o seu negócio de impacto.

Cabe destacar que, se tratando de negócios de impacto, o Modelo C é composto pela integração da Teoria de Mudança e do Canvas Business Model. É um dos modelos mais praticados pelo ecossistema de empreendedorismo de impacto no Brasil, uma vez que consegue considerar, estrategicamente, áreas do negócio e objetivos de impacto no médio e longo prazo. 

Para a Semente, inovar não é somente aplicar metodologias ágeis e alçar mão de tecnologias em um negócio. É resolver problemas reais em ambientes com altos níveis de incerteza. E quando falamos de inovação social, esse conceito é aplicado à resolução de problemas sociais e ambientais. 

Por fim, considerando os primeiros 10 anos de história da Semente, em que acompanhamos mais de 30 mil empreendedores, muitos deles de impacto social, e operamos programas com foco em acelerar negócios como o Acelera e o VaiTec, cabe destacar alguns pontos de atenção à modelagem de negócios de impacto social:

  •  Conhecer  o problema  

>>> Veja como a pesquisa exploratória pode ser aplicada para conhecer o problema dos clientes

  •  Identificar quem será cliente o beneficiário e quem será o cliente pagante dessa solução;
  •  Relacionar sustentabilidade financeira à garantia e potencialização do impacto (aqui é pensar para além do propósito e entender que a sustentabilidade financeira viabilizará a longevidade do negócio, garantido assim a promoção do impacto por mais tempo e para, cada vez mais, pessoas). 

A última edição do Mapa de Negócios de Impacto, realizado pela Pipe.Social, destaca que “o maior volume dos negócios de impacto, 8 em cada 10, continua entre os estágios de desenvolvimento da solução até organização de negócio, especialmente na busca por um modelo que gere alguma sustentabilidade financeira. A partir da fase de piloto, 7 em cada 10 negócios já têm pensado um modelo de negócio mas é só a partir da etapa de tração que metade dos negócios mapeados de fato passa a parar de pé”. Ou seja, com esse resultado fica evidente a importância da modelagem de negócios para o desenvolvimento sustentável dos negócios de impacto.

Josy Santos

Josy Santos

Formada em administração, mestranda em Empreendedorismo e Negócios pelo BRITO Instituto. É especialista em negócios liderados por mulheres, diversidade e inovação. Possui vivências em liderança de projetos com foco em empreendedorismo, em especial o feminino e periférico, desde 2015. Atua como gestora de projetos de empreendedorismo feminino (SEBRAE SC e ENGIE, no programa Mulheres do Nosso Bairro) e consultora de inovação social e facilitadora de workshops e oficinas (DELAS e VAI TEC). Possui especialização em diversidade e inovação.

3 comentários em “Modelagem de negócios de impacto social: inovação como processo, impacto como resultado”

  1. Sim acredito que minha empresa Águia Real Orgânicos está preparada para o futuro! E preocupando e agindo de forma sustentavel com o meio ambiente e as futuras gerações.

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