Startup: saiba se você tem uma

Sumário

Antes mesmo de você, sua equipe de sócios e a versão beta do seu software se autodeterminarem uma startup, é essencial entender o que define uma organização desse tipo e avaliar se realmente o negócio se encaixa nessa descrição. Isso porque o uso do termo startup cresceu exponencialmente nas últimas décadas, e muitas pessoas se perguntam se podem enquadrar neste conceito o negócio que estão criando.

Por isso, neste texto vamos abordar equívocos relacionados à definição de startups, o que as principais referências no assunto agregam à temática e como impulsionamos startups aqui na Semente.

Entenda o que não pode ser chamado de startup

Antes de mergulharmos no que pode ser chamado de startup, é importante pontuar que esse é um conceito em disputa.  Isso quer dizer que existem muitas propostas de definição, mas não há uma convergência. Ou seja, ainda não encontramos a resposta certa para o que é uma startup. Entretanto, conseguimos adiantar algumas definições equivocadas.

Primeiro equívoco: startups são aquelas gigantes do Vale do Silício, como o Google e o Facebook. A maioria dos negócios que podem vir à mente quando pensamos neo termo, muito provavelmente, já não podem mais ser entendidas como startups. Nenhuma startup nasce para morrer startup, e nenhum empreendedor inovador deveria ter como objetivo final ser dono de uma. Se tudo correr bem, vai chegar um momento em que os fatores essenciais que definem uma startup desaparecerão, e o negócio vai começar a se estruturar e a se transformar em uma empresa.

Segundo equívoco: startup é uma versão pequena de uma grande empresa (ou demais variantes relacionadas à ordem de grandeza). Apesar da clara, e até necessária, a relação entre as startups e uma equipe enxuta, essa afirmação definitivamente não é suficiente. Se a sua empresa somente replica ou adapta o que um negócio já bem estruturado faz, só que em menor escala, não podemos chamá-la de startup.

Terceiro equívoco: startups são negócios recém criados. Esse é o primeiro resultado de definição de startups oferecido pelo Google, e é parcialmente certo e conceitualmente errado. Parcialmente certo porque, sim, virtualmente toda startup é nova. Conceitualmente errado porque esse fato é uma consequência, e não uma condição. Se sua startup tem 20 anos, provavelmente você está fazendo isso errado!

Quarto equívoco: toda startup é tecnológica (ou digital). O erro nessa afirmação está mais relacionado a um entendimento equivocado do que é tecnologia do que, de fato, à definição de startup. Além disso, muitas pessoas relacionam tecnologia somente ao mundo digital, ou ao que chamamos de Tecnologia da Informação (o que por si só já é um equívoco).

Os exemplos mais famosos que ilustram esse ponto são a Tesla Motors, que investe em tecnologia no setor automotivo e de energia, e a SpaceX de tecnologia aeroespacial. Aqui a relação mais evidente é entre startups e inovação, como veremos a seguir, e não necessariamente entre startups e tecnologia.

Por fim, é importante ressaltar que startups não são negócios tradicionais. Não há nenhum problema em empreender uma pizzaria, um e-commerce ou uma empresa de criação de softwares. E há inúmeras maneiras de se fazer isso: usando metodologias e estratégias tradicionais para se abrir um negócio também tradicional – ou recorrendo a metodologias e ferramentas de startups quando, entre outros motivos, houver um cenário de incerteza ou a necessidade de agir em função de concorrentes disruptivos.

Mas então o que é uma startup?

Alguns dos principais nomes do universo das startups nos apresentam certas definições sobre o que é uma startup. Para Erick Ries, empreendedor do Vale do Silício e criador do movimento Lean Startup, uma nova estratégia de modelo de negócios que direciona as startups a alocar seus recursos de forma mais eficiente, uma startup é como uma instituição humana desenhada para entregar um novo produto ou serviço sob condições de extrema incerteza.

O conceito de Ries evidencia a incerteza inerente ao processo de se criar uma startup, e também deixa clara a necessidade de se trabalhar com inovação em serviços ou produtos.

Já para Steve Blank, também empreendedor do Vale do Silício e reconhecido pelo desenvolvimento da metodologia Customer Development, que lançou as bases para o movimento Lean Startup, startup é uma organização temporária criada para buscar um modelo de negócio replicável e escalável.

Contrastando com a definição do seu aluno Ries, Blank escolhe por evidenciar a necessidade de busca por escala, bem como o fato de não ser uma organização permanente.

A empreendedora e investidora Julie Meyer, empresária americana e autora de Welcome to Entrepreneur Country, descreve Startups como empresas que começam suas vidas pequenas, mas pensam grande e, devido ao grande potencial inovador, nutrem uma significativa probabilidade de um crescimento exponencial antecipado.

principais nomes do universo das startups. imagem ilustrativa do conteúdo: startups saiba se você tem uma

Outra definição importante de ressaltar é a derivada do entendimento jurídico atual. Hoje, no Brasil, legalmente, uma startup é considerada uma micro ou pequena empresa de base tecnológica. Essa definição deve sofrer alterações com a aprovação do Marco Legal das Startups, ou ocorra uma simplificação legislativa e tributária nos negócios em geral.

Conheça o que é essencial a toda startup

Reunindo todas essas definições, vamos chamar atenção para algumas características em comum:

  1. Inovação: Quando cometemos o equívoco de relacionar startups à tecnologia falhamos em entender bem o que o segundo termo significa. Tecnologia pode ser definida como o estudo da alteração do status quo de forma prática. Inovação prevê a implementação e aceitação dessas mudanças gerando valor, ou seja, sem mercado não há inovação. E isso constitui um dos maiores desafios das startups: o como transformar tecnologia em inovação.
  2. Incerteza: Esse desafio acontece principalmente pelo consenso de que a incerteza é inerente ao processo de inovação. É muito tentador imaginar que o futuro é previsível, planejar anos à frente do seu negócio e esperar que tudo vá ocorrer como o planejado. Portanto ,é muito fácil, e até confortável, ignorar as incertezas que envolvem esse processo! Na prática, uma estratégia de redução delas é essencial.
  3. Crescimento: Startups nascem para resolver problemas reais em um ambiente de incertezas. Estando nesse cenário de risco, o investimento se faz valer em situações onde haja previsão de crescimento. Seja validando um modelo de negócio de alto crescimento, escalável, ou de aumento na geração do impacto social.
  4. “Get out of the building”: O funcionamento de uma startup está baseado no mindset de teste de hipóteses e o mantra de “errar rápido e barato”. Estar em constante interação com o mercado em busca de feedbacks que possam tornar mais eficazes e eficientes o desenvolvimento da solução acelera a validação do negócio.A partir da prática intensa desses termos, utilizamos na Semente uma abordagem prática e aplicada ao mercado:

Caminho Empreendedor é a metodologia própria desenvolvida pela Semente aplicado à negócios inovadores. Através dele é possível percorrer todas as etapas de criação de um negócio inovador, desde a exploração de oportunidades à estruturação.

Fruto da experiência adquirida trabalhando com mais de 8 mil empreendedores inovadores, nossa metodologia guia empreendedores a identificarem em que estágio cada negócio está, orienta qual a ação a equipe deve realizar e dá ao negócio um objetivo claro e alcançável em cada estágio.

José Ignácio Ribeiro Martins de Souza

José Ignácio Ribeiro Martins de Souza

Atua na aceleração de startups, tendo apoiado mais de 60 empreendedores. Na Semente também suporta a automação de processos participando do desenvolvimento de metodologias. Engenheiro Civil na EE/UFRGS. Especialista em negócios inovadores e startups. Foi bolsista do Programa de Empreendedorismo da UFRGS, atuando em diversos programas de educação empreendedora para nível de graduação e pós-graduação. Co-fundador e diretor de Projetos da EJECiv.

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