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Hackathon estendido para fomento à Cultura de Inovação: Caso Mercur

Sumário

Cultura de inovação. Podemos dizer sem medo que essa é uma das expressões mais utilizadas nos últimos anos. Empresas e diversos outros tipos de organizações vêm buscando implementar uma nova sistemática de trabalho com intuito de promover ambientes mais livres, criativos e que possam incentivar a ideação de novas soluções. Essa receita permite que as empresas se diferenciem dos concorrentes e gerem resultados mais duradouros.

Mas, afinal, o que significa cultura de inovação?

A cultura organizacional determina os relacionamentos e as ações dos funcionários dentro da empresa e, também, molda sua aparência externa. Não é algo abertamente visível, mas a cultura de uma empresa se mostra indiretamente por meio de valores, normas, atitudes e paradigmas que os colaboradores compartilham coletivamente.

A cultura de inovação, por outro lado, descreve uma forma específica de cultura corporativa que tem como objetivo promover o desenvolvimento de inovações dentro da empresa. Funciona, assim, como uma espécie de cultura transversal, cujos padrões e valores são moldados e apoiados por todos os participantes do processo. Uma cultura de inovação positiva cria incentivos para os colaboradores e leva a um aumento da força inovadora da empresa.

Gary Pisano, pesquisador e professor em Harvard, define três dimensões para que a cultura de inovação seja possível: capacidade, vontade e poder (ou potencial de inovação).

As três dimensões não estão isoladas e, por isso, influenciam umas às outras. Por exemplo, a vontade de inovar é fortemente influenciada pelas outras duas dimensões de capacidade e oportunidade (ou potenciais para inovar). Uma mudança em uma das dimensões resulta, automaticamente, em alterações nas duas outras áreas. As ideias, portanto, só podem ser desenvolvidas de forma eficiente em inovações uma vez que as condições estruturais para habilidade, vontade e potencial tenham sido criadas.

Quando as pessoas refletem sobre mudança cultural, a maioria pensa em padrões de comportamento em larga escala. No entanto, não são as organizações que mudam e, sim, os indivíduos. Qualquer mudança cultural visível em uma equipe, em nível departamental ou organizacional é composta de muitas outras alterações menores e individuais: colaboradores inspirados a pensar, agir e se envolver de maneira diferente. Embora em um alto nível tenhamos que pensar sobre os padrões mais amplos de transformação, apostar em mudança cultural significa encontrar maneiras de nos conectarmos com os corações e mentes individuais dos talentos que compõem a empresa.

E apesar de aparentemente parecer fácil, na prática, mudar indivíduos é uma árdua tarefa que precisa ser pautada em ações contínuas e bem estruturadas. Por isso, o hackathon estendido acaba sendo uma ferramenta que auxilia no processo de fomento à cultura de inovação.

Cultura de inovação: o que é hackathon estendido?

equipe de trabalho reunida em torno de uma mesa. imagem ilustrativa para o conteúdo sobre cultura de inovação

Tradicionalmente, os hackathons são maratonas que ocorrem durante 48 horas, em que equipes se reúnem para criar uma solução funcional vinculada a uma temática ou desafio específico. Esse tipo de hackathon até pode auxiliar a aprendizagem geral da organização sobre as novas metodologias de inovação, mas possivelmente pouco impactará em sua cultura de inovação, visto que, pelo tempo decorrido, essas equipes pouco experienciam a prática da inovação.

Inclusive, por vezes, a falta de efetividade em hackathons pode gerar um efeito contrário à cultura de inovação porque os colaboradores depositam energia em algo e não veem aquilo se transformar em ações concretas – e isso traz ceticismo em relação à inovação

Por isso, há uma nova modalidade de hackathon sendo aplicada como importante fomente à cultura de inovação: o hackathon estendido ou, simplesmente, as Maratonas de Inovação.

Essa nova modalidade ocorre num período compreendido entre 40 e 60 dias, permitindo que as equipes participantes possam mergulhar em novas metodologias voltadas à inovação e consigam experienciá-las na prática. Todo o programa é estruturado para as etapas de exploração do problema e validação da solução. Assim, as equipes precisam ir ao mercado, entender as demandas e necessidades das pessoas para, depois, construir suas soluções. Nesta etapa, é a vez da equipe ir novamente ao mercado para testar a aceitabilidade das soluções e, por fim, estruturar os modelos de negócios.

O intuito do hackathon estendido não necessariamente é chegar ao final com soluções incríveis, mas propiciar que as equipes aprendam com o processo e consigam levar as novas sistemáticas de trabalho e ferramentas para o dia a dia. Esse tipo de programa também acaba incentivando que as empresas possam estar mais preparadas para ações de Intraempreendedorismo ou Programas de Ideias.

No entanto, há a possibilidade da empresa conseguir soluções bem interessantes e com alto potencial de escalabilidade ao final do programa. E esse foi o caso da Mercur.

A Mercur

A Mercur S/A é uma empresa fundada em 1924, no interior do Rio Grande do Sul, com o foco na criação de artefatos de borracha. A borracha de apagar Mercur, certamente fez (e ainda faz) parte da vida de milhões de brasileiros, sendo uma referência no mercado nacional. Hoje, a empresa atua no mercado de educação, principalmente com materiais escolares e no mercado de saúde, com produtos voltados à apoio, reabilitação, atividades físicas, fisioterapia, entre outros.

A inovação sempre fez parte da trajetória da empresa quase centenária, no entanto, em meados de 2007, a Mercur se dedicou a pensar a inovação de maneira mais profunda em seu propósito. Englobando o tripé humano-sócio-ambiental, a empresa assumiu diversos compromissos para promover a transformação positiva na sociedade. A visão tida para 2050 retrata toda essa busca: “A Mercur comprometida com a construção de relacionamentos que valorizam a vida”.

O hackathon estendido realizado na empresa, em parceria com a Semente Negócios, teve o intuito de trazer metodologias mais ágeis, pautadas em etapas de exploração e validação, para o desenvolvimento de novos produtos e/ou novas soluções.

O grande objetivo com o programa foi promover a cultura de inovação numa empresa em que já é realidade o trabalho próximo ao cliente, como eles mesmos chamam, “o fazer com”. As expectativas eram que os participantes (que foram colaboradores convidados) pudessem testar essas novas metodologias e trazer os feedbacks da experiência para possibilitar melhorias a serem implementadas no lançamento de um Programa de Intraempreendedorismo.

A experiência, no entanto, não foi apenas para a promoção de uma cultura de inovação, mas também para criação de novas soluções com grandes potenciais de mercado. Uma nova tecnologia de resfriamento corporal para pessoas expostas à altas temperaturas; uma nova lógica de frete considerando uma rede de parceiros locais; uma solução robotizada para auxiliar na transferência de um local para outro de pessoas com ELA (Esclerose lateral amiotrófica); e um recurso alternativo para o uso de muletas são apenas algumas das soluções criadas pelas equipes durante o programa que durou menos de 60 dias.

Os resultados do hackathon estendido na Mercur foram pessoas que já tinham um propósito compartilhado muito forte, potencializado com metodologias ágeis pautadas em entender a problemática do cliente e construir soluções voltadas ao mesmo. Certamente a empresa deu o seu primeiro passo em promover uma cultura de inovação e, consequentemente, construiu soluções inovadoras a serem lançadas ao mercado.

Se você, leitor, quiser conhecer um pouco mais sobre como foi a experiência do hackathon estendido da Mercur, não deixe de assistir ao vídeo a seguir.

Tamiris Dinkowski

Tamiris Dinkowski

Focada em Governança Corporativa, atua na implementação de estratégias de inovação. Formada em Ciências Contábeis pela UFSM, especialista em Controladoria e Finanças pela PUC-RS, estudou Innovation Governance na University of Toronto. Foi Presidente do Conselho de Administração da Federação Gaúcha de Empresas Juniores e Conselheira na Confederação Brasileira. É fundadora do negócio digital miirum.com.

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